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Segunda-feira

13 de Julho de 2020

Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP), presidente do diretório estadual do PSL no Estado de São Paulo e vice-presidente Nacional do partido.

A pandemia da Covid-19 e o vírus do autoritarismo

Governos populistas são exemplos de como o negacionismo pode ter efeitos preocupantes

O Brasil enfrenta hoje dois inimigos perigosos: o novo coronavírus e o autoritarismo. Já são mais de 1,3 milhões de casos confirmados de Covid-19 e quase 60 mil mortos no nosso país. Entretanto a preocupação do Governo Federal parece cada vez menos buscar uma saída para a crise causada pela pandemia e, casa vez mais, utilizar a pandemia como cortina de fumaça para os seus verdadeiros interesses.

Governos populistas como o do norte-americano Donald Trump, nos EUA, e o do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, são exemplos de como o negacionismo pode ter efeitos preocupantes. Não é coincidência que Brasil e EUA figurem hoje entre os dois países com casos da Covid no mundo.

Aqui no Brasil, a história recente tem nos mostrado pouca ação por parte do presidente Bolsonaro no que tange o enfrentamento da doença, e uma tentativa  de enxergar na crise a oportunidade de ampliar os próprios poderes. 

Ao redor do mundo governantes desprestigiados e com a sua popularidade abalada tem se aproveitado de um momento de fragilidade nacional para tentar tirar vantagem. Especialmente em casos como o fechamento das fronteiras, o fortalecimento do nacionalismo e a crise econômica, por exemplo, surgem como um prato cheio para a extrema direita.   

Nesse horizonte, as fake news aparecem como uma das principais armas de manipulação da população. Campanhas de desinformação e notícias manipuladas criam um cenário de caos confundindo a população e gerando medo e insegurança. Aqui no nosso país é exatamente isso que vem acontecendo desde o início da pandemia onde as recomendações técnicas do Ministério da Saúde, que já teve três ministros diferentes durante a pandemia, são frequentemente desmentidas pelo presidente da república que faz questão de buscar aglomerações e ignorar o uso das máscaras, por exemplo. 

Bolsonaro usa a pandemia para alimentar a mobilização da base com o seu discurso de ódio e promover ataques contra as instituições democráticas. O Congresso Nacional e o STF vivem sob constantes ofensivas e o povo brasileiro tenta sobreviver ao medo das ameaças diárias. 

Contudo, apesar desse panorama de insegurança, o apoio do brasileiro à democracia vem crescendo e, de acordo com pesquisa do Datafolha, vem atingindo índices históricos. 

Segundo o instituto, 75% dos entrevistados consideram o regime democrático o mais adequado, enquanto 10% afirmam que a ditadura é aceitável em algumas ocasiões. Na pesquisa anterior realizada em dezembro do último ano, 62% apoiavam a democracia e um número semelhante ao de agora, 12%, a ditadura. Os números mostram um aumento do apoio dos brasileiros à democracia de mais da 10 pontos percentuais. 

As ações do presidente sinalizando apoio a atos pedindo o fechamento de outros Poderes e insinuando o uso das Forças Armadas em seu favor gerou um efeito rebote.  A pesquisa aponta que o apoio atual à democracia é o maior desde 1989, quando o Datafolha começou a aferir o dado.

Vale lembrar que historicamente desde que o Datafolha começou a fazer a pesquisa o momento em que o clima de insegurança mais aproximou o Brasil de uma nova ditadura foi 1992, ano em que o país enfrentava uma grave crise econômica e moral, com o nome do então presidente, Fernando Collor, envolvido em uma série de denúncias de corrupção.

Os números mostram que, de maneira geral, o povo brasileiro amadureceu e está cada vez mais consciente sobre a importância do conceito da democracia. Em contrapartida temos hoje um presidente cujo legado da ditadura é tema recorrente e constante nos seus discursos e no seu governo. 

A pandemia é grave e precisa ser combatida com seriedade, é inadmissível que tente ser usada como estratégia de manipulação por parte dos governantes. Já o povo brasileiro tem a missão de continuar lúcido, se posicionar, e deixar claro que o presidente da república nada mais é do que um funcionário do povo, alguém escolhido pela população para defender os interesses do Brasil e do brasileiro. Qualquer coisa diferente disso não cabe em nosso país porque a população está unida e forte, e arroubos autoritários não serão tolerados.

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