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Sábado

16 de Novembro de 2019

Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP) e membro do diretório nacional do partido. Foi superintendente da Funasa no Estado de São Paulo, vereador na cidade de São Vicente (SP), além de suplente de deputado estadual e candidato a prefeito no município.

A ideologia e o poder

Temos assistido uma tentativa de dividir a sociedade adotando um fracassado conceito maniqueísta onde os seguidores, os apoiadores e os críticos do presidente são divididos em dois lados

Na última semana pautas importantes para o Brasil como a Reforma da Previdência acabaram ficando de lado e cedendo espaço para o espetáculo em que foram transformada as desavenças do presidente Jair Bolsonaro com a executiva nacional do seu partido, o PSL.

Eu sempre digo que na vida, assim como na política, as pessoas devem ter coerência. Por coerência entende-se a uniformidade no modo de proceder, acordo, adequação, concordância, conformidade, congruência, igualdade, propriedade, a ligação lógica entre fatos, conexão, coesão, harmonia, concatenação, correlação, ligação, lógica e nexo.

Durante a campanha eleitoral nos aliamos a pessoas e lideranças que defendiam as mesmas bandeiras que nós e combatiam as mesmas arbitrariedades. E assim formamos um time alinhado e determinado a mudar o Brasil e a acabar com a corrupção, que é a maior mazela que podemos encontrar na política hoje, e tem sido também o nosso maior desafio.

E assim, seguindo essa tônica, assumi em fevereiro o mandato na Câmara dos Deputados depois de ser eleito pelo PSL. Desde então apresentei dezenas de Projetos de Lei, com menos de 70 dias de mandato aprovei um PL que altera a Lei Maria da Penha em defesa das mulheres e fui reconhecido como um dos deputados mais atuantes do Congresso. Trabalhei incansavelmente em prol da segurança pública, do Pacote Anticrime, do Coaf junto ao ministro Sérgio Moro, das mulheres, da economia do país, dos jovens, dos animais, da Reforma da Previdência, da Reforma Tributária e do combate à corrupção, e assim venho defendendo com unhas e dentes o compromisso que assumi com 78.712 eleitores que votaram em mim, e com todo o povo brasileiro de trabalhar pela democracia e mudança do Brasil.

Infelizmente, o que temos assistido hoje é uma tentativa de dividir a sociedade adotando um fracassado conceito maniqueísta onde os seguidores, os apoiadores e os críticos do presidente Jair Bolsonaro são divididos em dois lados: o bem, representado pelos devotos do presidente, e o mal, onde são colocados os apoiadores, os críticos e todos os demais.

O leitor agora deve estar se perguntando, mas qual é a diferença entre os seguidores e os apoiadores? E eu lhes digo, os seguidores são os discípulos, os fiéis que louvam e idolatram sem questionar, pois acreditam naquela “divindade” acima de tudo, e creditam a ela a sua única possibilidade de salvação. Já os apoiadores são pessoas que auxiliam, que prestam assistência, que partilham os mesmos Ideais, que atuam em parceria para alcançarem objetivos comuns, mas que não necessariamente vivem essa “idolatria”, e por isso, atuam de forma crítica para o bem do coletivo.

Eu nunca fui seguidor de ninguém, mas sou apoiador de todos aqueles em que identifico um esforço hercúleo em trabalhar pelo Brasil e para o povo brasileiro. Sou um apoiador de todos aqueles que lutam pela mudança genuína, porque da mudança apenas no discurso já estamos todos fartos.

Criamos todos muitas expectativas. Acreditamos que sim, desta vez seria diferente. E com a fé que tenho nas pessoas, ainda não deixei de acreditar. Mas essa crença não me permite pactuar com gestos que vão de encontro a tudo aquilo que eu e o povo brasileiro condenamos.

Não posso apoiar indicações sem capacitação técnica, nepotismo, governar em benefício próprio ou de determinado grupo em vez da coletividade, disputa insaciável do poder pelo poder ou mesmo a tentativa de incrustar traços monarquistas em uma república democrática.

Jamais trai os meus princípios em prol de benéficos próprios. Eu sigo defendendo todas as minhas bandeiras de campanha e discordando daquilo que eu e os meus 78.712 eleitores tanto combatemos.

O Brasil está parado há três semanas por conta de problemas criados pelos ataques diários a toda e qualquer instituição. Essa é a principal característica do limite entre democracia e autoritarismo.

A bajulação atrai, alimenta o ego. Porém prefiro aqueles que apontam os defeitos e se distanciam um passo, aguardando que se melhorem e se corrijam, a aqueles que bajulam, se aproximam diversos passos e preparam a traição. Traidores não são os que apontam os erros para que os mesmos sejam corrigidos, mas sim aqueles que fingem que não os veem para usá-los em momento oportuno contra você.

Como deputado federal eleito pelo PSL sigo buscando o diálogo e a unidade para que o foco volte a ser os projetos para tirar o Brasil da crise e acabar com a corrupção. Qualquer briga ou disputa que não tenha como enredo melhorias para o brasileiro não se justifica.

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