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Sexta-feira

22 de Novembro de 2019

José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

Quando o assunto nos persegue

Você, eu e todo mundo já sentimos quando um assunto parece nos perseguir ao longo do dia, não importando para onde olhamos. Quer ver, ou ler?

Será que vocês também sentem isso? Não importa o quanto você é distante de determinado tema, este tema de repente toma de assalto seu dia, sua sala, sua memória, seu disco rígido. Parece com aquelas músicas que grudam na sua cabeça, de refrão poderoso, chiclete. Quando reparamos, estamos cantando o mesmo refrão pela centésima vez.

Acho que está difícil para a gente ser desencanado hoje em dia, para esse estado de ignorância ou simples estado de ingenuidade sobre o que está gritando. No tema do dia, é necessário uma nova disciplina, a disciplina do desconectado.

Acordar, ler o livro atual que descansa na cabeceira da cama, pode até ler os jornais, eles são mais lentos e tendem (alguns) a trazer a notícia mais fria e equilibrada, sem o calor da hora e sem os erros da hora. Depois, um café na padoca, um futebol com os amigos, lembrando de falar sobre assuntos realmente importantes, como o passe mal dado do Cerezo em 82, o último ano de uma grande seleção brazuca, depois algumas cervejas... Mas cuidado, continue com assuntos existenciais, como, por exemplo, o ritmo dos samba-enredos no século XX ou sobre os rumores daquela onda gigante que um dia deve varrer a gente aqui na orla.

Falar sobre Machado de Assis, Dom Casmurro, Bentinho e a talvez traição de Capitu e seus olhos de ressaca também é um caminho. Fazer listas dos melhores conjuntos de rock, melhores discos, pode ser ótimo, inspirado no personagem decididamente imaturo do “Alta fidelidade”, do Nick Hornby. Falar da vida e futricos de Euclides da Cunha, que tal?

Mas, eu reconheço que a canção, ops, a guerra está perdida, uma hora sairemos da vida real e cairemos na bolha do algoritmo e pronto, falaremos sobre a nova lacração, a nova guerra dos polarizados, a nova treta filmada à exaustão e compartilhada também à exaustão por você, e por mim, claro.

Precisamos, sim, de uma bula para os novos tempos, precisamos respirar fora um pouco das redes. Aliás, li nas redes (não!!!) que o apresentador Zeca Camargo resgatou o hábito de usar relógio de pulso, conseguindo dessa forma não usar o celular como relógio e portanto se distanciar um pouco do famigerado, repetitivo e viciado meio digital.

Falando nisso, e o Glenn Grewald tretando com o Augusto Nunes, vocês viram??

Obrigado pela preferência, voltem sempre.

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