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Sábado

17 de Agosto de 2019

José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

Para gostar de ler

Estas séries me guiaram quando era menino, da Editora Ática, ‘Para gostar de ler’ e série ‘Vagalume’ fizeram a minha cabeça como leitor. Conto melhor

Quem se lembra dessa série de livros? Da Editora Ática, chegavam em pacotes amarrados em barbantes na casa da minha mãe, que era, claro, também a minha casa. Minha mãe era professora de Português e Francês, e os professores recebiam em suas casas boas quantidades de livros, que eram indicados para que fossem lidos por eles, professores, e claro, posteriormente, seus alunos.

Eu devia ter uns dez anos quando pegava esses lotes chegando em casa, pedia pra abrir os pacotes, com uma tesoura ajudava a cortar os barbantes e lá estavam eles, os livros das séries ‘Para gostar de ler’ e ‘Vagalume’.

Ali, conheci as crônicas do Fernando Sabino, do Paulo Mendes Campos, do Carlos Drummond de Andrade e Rubem Braga. Mais tarde, o Luis Fernando Veríssimo, que não estava nas primeiras coletâneas, na série ‘Vagalume’, ‘As aventuras de Xisto’, ‘A Ilha Perdida’, os livros do Marcos Rey... 

Fora dessas séries, li para nunca mais esquecer ‘O Gênio do Crime’, do recém-finado João Carlos Marinho, santista de nascimento, um dos livros mais geniais de que me lembro. Do lado paterno, ganhava gibis que vinham dentro de sua mala quando retornava de suas viagens como representante de calçados. Principalmente ‘Asterix’, mais ainda e mais frequente, álbuns do ‘Fantasma, o espírito que anda e seu cachorro Capeto, seu cavalo Herói, suas aventuras vividas na áfrica na companhia dos pigmeus da tribo Bandar.

Em nenhum dos casos a leitura me foi imposta, lembro que os clássicos devo ter lido, mas não me marcaram tanto quanto os livros sem compromisso, sem objetivo, obrigação.

Carrego até hoje o gosto pela crônica, a ponto de cometer algumas como esta. A essência do ‘Para gostar de ler’ é o texto curto, com final amarrado, ritmo e uma boa ideia sempre.

Gosto de lembrar dessas leituras, as HQs continuam me seduzindo, as crônicas também, gosto de conhecer novos autores, novas bandas de rock, mas não tenho fases, eu sou todas as fases de todas as épocas em acúmulo, numa salada pessoal, particular, sem método, totalmente levada pelo instinto, pelo gosto construído em cada leitura, em cada sugestão de amigo, em cada conversa do balcão.

Gosto de lembrar da minha identidade dessa forma, bem sem forma.

Obrigado pela preferência, voltem sempre!

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