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Segunda-feira

10 de Agosto de 2020

José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

O menino e a flauta

Foi há alguns dias, um menino se aproximou dos músicos que tocam há quinze anos na nossa calçada famosa, daí nasceu a poesia

Um grande jornalista americano, Gay Talese, ficou célebre por ter realizado uma entrevista com um entrevistado que não apareceu ao encontro, daí nasceu um perfil biográfico do Frank Sinatra, mesmo com o dono da “Voz” dando um cano no Talese.

Muito mal comparando e fazendo uma ponte com este episódio, eu vou contar uma pequena história mesmo eu não estando presente ao local da ação. Foi na minha, na sua, na nossa Realejo há alguns dias, numa sexta-feira no fim de tarde.  Quando há quase quinze anos (novembro te festa!) nos tornamos uma casa musical, uma casa dedicada ao gênero Choro nunca imaginamos viver tantas passagens especiais, tantas lembranças, e dessa vez o destino caprichou.

Talvez vocês saibam, sei que alguns sabem mas aqui explico que não custa nada. Há quase quinze anos, sempre às 18h30, recebemos a dupla “Choro de Bolso” para uma apresentação musical. Nessa hora recebemos novos  e velhos amigos, mostramos as novidades que chegaram, fazemos sessões de autógrafos simultâneos com a música, brindamos o final de semana com café, cerveja ou cachaça.

Nesta sexta a  apresentação seguia com desenvoltura, Débora e Canduta, flauta transversal e violão preenchendo com melodias o fim de tarde na livraria, um bom público presente, tudo lindo e eis que surge sem o menor aviso um menino e uma flauta. Ele se aproxima com a flauta próxima da boca e começa a tocar numa Jam insólita com os músicos. Aquarela do Toquinho primeiro na flauta doce do menino em situação frágil, chinelos e tímido, na sequência o violão começa a acompanhar a melodia para depois a flauta da Débora dar mais corpo para o frágil toque de um tanto indeciso garoto.

Eles foram se entrosando na nossa calçada, o público entendeu a beleza do encontro, a Thelma, nossa amiga, leitora, publicitária e neste caso, cinegrafista móbile postou um belo vídeo nas redes sociais (como acham que estou descrevendo tudo isso?)e pronto, a Jam virou um fenômeno, dezenas de milhares de pessoas já assistiram e compartilharam.

Espero viver mais momentos mágicos na nossa calçada, espero também que o Samuel (esse é o nome do menino) consiga se tornar músico, mas que antes de tudo seja acolhido como indivíduo, que tenha sorte no seu caminho.

Eu, de longe, fiquei com os olhos marejados, imagina quem vivenciou isso ao vivo.

Boa sorte, Samuel. Obrigado, Thelma, pelo poema vídeo.

Obrigado pela preferência, voltem sempre.

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