José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

Me perdoe, Ignácio.

Recebi uma ligação incomum, fui investigar e tomei um susto. Venham comigo viver esse causo na vida de um livreiro praiano.

 

Foi há algumas semanas que o jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão me ligou pedindo meu e-mail misteriosamente, não é tão comum receber ligações diretas dele, e curioso que sou perguntei qual a finalidade e ele num drible seco e rápido disse que era por conta das greves dos correios que ele estava ligando para amigos solicitando seus e-mails, assim garantindo a chegada da informação, mas qual informação?

Ele não disse por telefone, mas claro que represei comigo ter sido rotulado como um amigo, e isso me marcou, deixei a investigação sobre a natureza do e-mail de lado e agradeci ao Ignácio pela gentileza da ligação.

Passados alguns dias chegou o esperado e-mail e ao abrir tive um sobressalto, fui convidado para a cerimônia de posse do Loyola Brandão na Academia Brasileira de Letras, eu iria ver pessoalmente os imortais da ABL, todos de fardões, todos comendo bolo inglês, todos bebendo chás. Daí comecei a pensar no evento, pensei no Machado de Assis criando a Academia nos moldes europeus, com pompa e algum colonialismo, ligeiramente complexado importando moldes gringos, pensei que veria o Sarney, não curti, o FHC curti pouco, o Merval Pereira curti zero, o Paulo Coelho curti bastante, o Verissimo idem, muito fã que sou do escritor dos pampas e fui divagando até que lembrei que o evento é no Rio de Janeiro, nessa sexta-feira dia 18 de outubro, mesmo dia em que tenho que defender o festival Tarrafa Literária publicamente para recebimento de apoios políticos municipais, ossos do ofício, sem problemas, mas pô, tinha que ser tudo junto?

Ah, essa vida de livreiro...

Quando somei todos os compromissos, prós e contras e vi que não poderia ir ao evento carioca, outro obstáculo é usar terno e gravata, já tá quente, né pessoal? Curioso no convite é ter o traje “passeio completo” que justamente significa usar o terno e a gravata, nunca passeio dessa forma, com essa pompa, ainda mais no Rio.

Para encerrar a história resolvi que da mesma forma que o Loyola me ligou eu deveria ligar para ele, e foi o que fiz. Liguei, agradeci novamente ainda dizendo que tal convite é muito incomum para mim, e que talvez não se repita, mas compromissos santistas me impedem de ir à cerimônia.

O Loyola foi leve como suas crônicas, a ligação caiu quando já tínhamos falado sobre o tema principal e pensei que ele estava muito atarefado e ansioso na semana da posse, por isso não liguei novamente.

Desejo que seja uma bela cerimônia de posse, Ignácio.

Me perdoe não estar presente, um grande abraço do seu amigo.

 

Obrigado pela preferência, voltem sempre.   

 

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