José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

Jonas Eduardo Américo, meninos, eu vi

Uma homenagem ao gênio Edu. Vamos jogar juntos essa partida?

Uma das frases que eu mais ouço, e se você tiver a mesma faixa de idade, quarenta e muitos, ouviu também, é a famosa: - Eu vi jogar ao vivo, lá no estádio, Pelé, Edu, Clodoaldo, Pepe, vocês não viram, não têm ideia do que foi aquilo, ao vivo, na nossa frente.

Pois é, e no último fim de semana, sem o menor aviso, sem solenidade ou cerimônia, aconteceu, meninos, eu vi - abraço pro Juca Kfouri - e divido esse momento com vocês, agora.

Como todos os sábados, lá fui eu acompanhado da minha leve ressaca pro futebol com os “Veios Amigos”, grêmio que heroicamente mantém a liga e um bate bola religioso pelas manhãs no fim de semana. Eu tinha entornado algumas geladas na noite anterior, estava lá para a resenha, para o jogo e, claro, para o churrasco logo depois do rachão, quando, aí sim, a nossa performance é de alto nível, na comilança.

Mas havia algo de diferente neste sábado. Um dos sócios do “Pé na Bola”, o nosso campo de society, o Pimentel estava agitado, pediu para que fossemos mais ligeiros e atentos com o horário do uso do vestiário, pois chegaria um grupo grande para um torneio seguido de festa. Algo incomum, mas claro que atendemos ao pedido e no horário pedido liberamos o espaço e fomos queimar nossa carne e brindar os aniversariantes de outubro, eu entre eles.

Quando chego do banho, começo a entender a agitação do Pimentel, vejo times uniformizados, juiz, alguma torcida e veteranos chegando mansamente ao “Pé na Bola”. Serginho Chulapa conversava animado com o meu camarada urologista, o Nyander, médico do Chulapa. Seu Macia, sempre animado, me viu e veio dar um abraço perguntando se eu já havia jogado, quando confirmei, ele se mostrou aliviado, dando um abraço gargalhando. Vi o Dorval, o Léo, o Clodoaldo e... O Edu, Jonas Eduardo Américo.

Nosso churrasco era bem em frente ao campo em que o Edu e seu time estavam jogando. Aos 70 anos e com uns bons quilos a mais, Edu se preparava para a peleja, eu pedi licença para os amigos e me isolei para ver o jogo. Acompanhei cada corrida, ele ainda ágil, cada toque, cada drible genial, cada arrancada de olhos abertos, enfrentando os zagueiros com sua maneira única de conduzir a bola. Eu, de trás do alambrado, estava emocionado com o que via.

O que mais me impressionou é o respeito do Edu ao jogo, ele estava atento, com a expressão séria, fechada, nada o desviava do jogo. Vi a expressão preocupada dos seus marcadores, todos mais jovens e em apuros.

Ao final do jogo, pedi uma foto com o gênio.

Meninos, eu vi.

Obrigado pela preferência, voltem sempre.

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