EDIÇÃO DIGITAL

Segunda-feira

18 de Novembro de 2019

José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

Games e leitura, um plano frustrado

Sim, tenho um plano para que meus filhos sejam leitores, mas não foi bem isso o que aconteceu, a vida é cheia de surpresas. Vem comigo que eu conto!

Eu sou pai de três, já comentei por aqui outras vezes. Na nossa casa, tem pilhas de livros espalhados por quase todos os aposentos, na cozinha, de receitas, nos quartos, os a serem lidos em suas cabeceiras, no banheiro, aquela leitura breve que nos ilustra para o dia.

Nunca fiz muita campanha para os meus pequenos. A maior, a Alice, de 12 anos, já me pede livros, um click se deu na cabeça dela, ela começa a ter autonomia; a Nina, de 10 anos, é boa leitora de livros em séries, como “Diário de uma garota nada popular”. Eles gostam de ler, sem cerimônia, como tem que ser, mas...

Sempre tem o mas, mas pode ser melhor. Nunca na história houve tantas modalidades de lazer em pequenos segmentos, tem YouTube, games de celular, streaming de séries, além do bom e velho cinema, da praia a duas quadras de casa, do mar e do futebol. Nos tempos atuais, a disciplina tem que ser maior, são tantas as possibilidades de diversão, de informação, devemos pensar e agir dentro desse cardápio cultural.

Mas o livro tem o seu momento.

Agora, vem a minha confissão. Tenho me concentrado, claro, no meu caçula, o Zé Miguel, de 9 anos, nessa campanha de leitura. Ele busca muitos livros na biblioteca da escola, está num bom caminho. Mas, nesse momento, eu pedia pra que ele lesse uma HQ, ele pede pra que eu espere ele acabar de jogar um jogo no videogame, o tal do Fifa. Eu, distraído da primeira vez que vi, achei que era um jogo real, tal a realidade dos gráficos. Pois, fiquei esperando o jogo terminar e, ao fim, ao invés de entregar o livro para leitura, pedi o controle do jogo, pedi pra jogar uma partida. Me lasquei, o jogo é demais.

Começou uma parelha entre pai e filho, somos uma dupla, ele joga um tempo, eu o outro. Eu, um perna de pau voluntarioso (isto apenas no game!), ele, um jogador hábil e frio.

Eu começo sofrendo no jogo e entrego no intervalo do primeiro para o segundo tempo para o craque mirim. Se tudo der certo, com no mínimo um empate ou derrota magra, no segundo tempo ele arrebenta. Quando não ganha, me culpa, culpa o jogador dele, esquenta a cabeça e eu peço calma, vou atrás dele e tento acalmá-lo. Ele foi pro vestiário, quer dizer, seu quarto.

Ele me levou pro vício, meu plano naufragou, game over.

Juro que vou reverter essa situação, mas não agora, espera acabar essa partida.

Obrigado pela preferência, voltem sempre!

Tudo sobre:
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.