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Sábado

19 de Outubro de 2019

José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

Festivais de literatura

Uma pensada alta neste cenário de festivais literários, e dentro deles, claro, a Tarrafa Literária

Não adianta, tentava criar algum outro tema dentro da minha coluna, mas sempre cedo ao que está perto, muito perto. Pra quem não sabe, uso muitos chapéus, num mesmo dia sou livreiro, editor, ilustrador bissexto e produtor de eventos literários. A Tarrafa Literária, festival criado por mim há 11 anos, portanto chegando à sua 11ª edição, é a radicalização da experiência de um livreiro que sempre gostou de eventos, ou seja, de encrenca.

Gosto de estar com os leitores e escritores, de nos ajudarmos, de criarmos juntos um momento em que todos vão notar a nossa existência, a existência da leitura, do livro. De notar e lembrar da importância de ler nas horas cheias.

Quando olhei pra Paraty e a sua Flip, ou para Passo Fundo e a sua Jornada, tive a certeza de que Santos poderia sediar com muita tranquilidade um festival internacional de literatura. Cada cidade empresta características a cada festival, cada uma tem uma identidade, e a curadoria, o programador tem que respirar o ar profundamente para buscar a identidade do evento, do festival.

Penso que nunca se esgota o sentido de se fazer eventos, de que o Brasil é muito carente dessa oferta, de que podemos conquistar mais leitores, de que o caminho é feito a cada dia, a cada livro lido, a cada bate-papo entre escritores e leitores.

E tem melhor momento para perseverarmos no caminho do fazer? O Brasil vive um ano de descobertas amargas, de brigas por ideologias, de intolerância nunca antes atingida, e os festivais literários podem e devem promover uma janela aberta para as conversas, para os debates, para o cultivo da dúvida, ao invés da preguiça conveniente das certezas.

Quando o festival começa, e as mesas vão acontecendo uma depois da outra, gosto de ir até a plateia, seja do Teatro do Sesc, na abertura, ou no Guarany. Fico olhando as pessoas, as reações, comentários e suas expressões. Sou um livreiro Flaneur, saboreio junto com os leitores os momentos vividos, juntos.

Neste dia 25, próxima quarta, começaremos a 11ª edição. Colocarei meu chapéu imaginário do idealizador do festival, lançarei a Tarrafa no oceano e tentarei conquistar mais leitores.

Boa pescaria para nós.

Obrigado pela preferência, voltem sempre.

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