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Sexta-feira

19 de Julho de 2019

José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

Economia e bloqueio criativos

Dos meus assuntos tabu, esse é um dos mais temidos, a tal da Economia Criativa. Alguém aí pode me ajudar?

Tenho a sensação de que tudo ou quase tudo que falamos já foi falado antes, falado de um jeito melhor, a sensação é de uma corrida maluca. Um dos termos que volta e meia me vêm aos ouvidos é o da Economia Criativa. Quando ele aparece, o termo, me dá um branco, me sinto vazio, antigo, sem ideias, um bloqueio mesmo.

E o pior aconteceu. Eu já com o pé atrás em relação a este mundo poroso e um tanto hostil e, do nada, recebo um e-mail me convidando para mediar uma discussão sobre literatura e mercado, num evento de cultura, e adivinha? Economia Criativa.

Porca miséria, eu, mediar uma mesa? Os convidados eu conheço e respeito, são eles a Madeleine Alves e o Manoel Herzog, ambos autores, ambos santistas, ambos talentosos. O evento, Zopp Criativa (olha o termo escondidinho) é simpático e criado por um ótimo sujeito, o Danilo. Desejo longa vida ao amigo e ao evento.

Mas, sem fugir da raia, vamos ao papo mediado por mim. Falamos sobre a produção regional de literatura, um assunto que me é difícil também, pelo fato de eu não concordar muito com criação e território. Ao mesmo tempo, gosto da máxima atribuída ao Dostoievski (me corrijam): “fale da sua aldeia e falará para o mundo”. Mas, uma conversa pública, um debate, nunca encerra o assunto, muito menos se constroem certezas, o que é ótimo, e o papo seguiu bem, acho.

E ao fim da apresentação, lembramos de arranhar o tema “criativa”. O Herzog alinhou os desafios de se abrir uma livraria, sugerindo que uma editora enxuta, que olha para o autor próximo, com pequenas tiragens que atendam segmentos específicos, é o caminho.

Esses mundos caminham em paralelo, o mundo em crise das grandes redes de livrarias sufocadas pela própria incompetência adquirida, o mesmo mundo em que habita a Amazon, que é quem sufoca esses paquidermes do varejo; e, do outro lado, o mundo dos pequenos e valentes editores, mais ousados e divertidos, e, aparentemente, mais prósperos.

Ao fim do evento, pedi aplausos, e eles chegaram. Ufa, ainda bem que só arranhamos ao fim da conversa o tema, já estava me dando um bloqueio...

Obrigado pela preferência, voltem sempre!

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