José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

Das más notícias

Elas não são raras, nas próximas linhas vocês lerão especulações do livreiro sobre o resultado dessa leitura, a chegada de uma má notícia e como me comporto a ela, vem comigo?

Uma má notícia abala o seu dia? O meu abala num primeiro minuto, no minuto seguinte, começo a digerir a nova, e no próximo minuto, estabeleço como vou me portar frente ao problema, como darei a volta por cima, sacudindo a poeira, abração aí, Vanzolini.

Nesta semana, li num periódico do mercado editorial chamado Publishnews, eles são um newsletter diário que garimpa tudo o que é publicado sobre o meu mundo, a minha bolha, o mercado editorial.

Pois saiu lá, neste importante veículo, a notícia de que apenas 17,7% das cidades brasileiras têm livrarias, a outra parte, logicamente, é uma cidade ou são cidades desprovidas dessas belezas, desses lugares onde se cultivam o convívio, a opinião, o lazer consistente.

Eu fico imaginando a nossa cidade sem livrarias, ou seja, sem também os livreiros, bem, sem eu, né?

Me sinto perdido, eu que estou prestes a completar 30 anos de carreira, não sei bem o que seria sem este ofício, sem trabalhar numa livraria.

Sem receber livros bons e ruins, sem receber leitores, sem a galeria de personagens incríveis, sem os quebra-paus ideológicos, sem as tretas sobre o que é bom ou o que é ruim de se ler, porque gosto se discute, claro, e ainda mais numa livraria, praticamente só se faz isso, se discute o gosto.

Imagino uma cidade sem livrarias, sem o chamariz do livro numa vitrine, sem o apelo, o gancho da leitura e seu impulso, a vaidade intelectual que poderia entrar na moda, imagina só se entrasse na moda você falar sobre o que está lendo, aprendendo, descobrindo. O andar com o livro debaixo do braço, o chamado “sovaco ilustrado”, essa moda podia pegar.

Pois quase 80% das cidades brasileiras não possuem uma livraria. Tenho curiosidade em saber um censo sobre se essas cidades têm igrejas, templos de seitas modernas, se tem pet shops aos montes, drogarias a dar com pau, mas isso são outras notícias, talvez também más, as notícias.

Mas o melhor, ou pior, deixo para o fim, a cereja do bolo da matéria. Existem mais locadoras de vídeo do que livrarias hoje nas cidades brasileiras. Como diria o narrador de futebol Oscar Ulisses... ”Mas o que que é isso!!!!!!!!”

Bem, meus amigos, como estou no minuto seguinte dessa leitura e revelação, ainda estou digerindo a notícia, não sei ainda como me portar frente a este fato, me ajudem a entender essa notícia.

Obrigado pela preferência, voltem sempre, mas voltem mesmo!

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