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Quinta-feira

18 de Julho de 2019

José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

Abriu mais uma livraria!

Seria tão sensacional, ao invés de farmácias, abrirem livrarias aos borbotões, não é? Pois leiam a minha breve história e verão que também é possível se abrirem novas livrarias

Para onde olho, para cada esquina, para cada terreno em construção, a cena se repete: mais uma farmácia nascendo. Em alternativa às farmácias, pet shops, em alternativa às pet shops, barbearias modernosas, em alternativa a elas, academias de ginástica, e não nos esqueçamos dos salões de beleza.

Esse conjunto de estabelecimentos tem algo em comum, trata muito mais da imagem exterior, da casca, do corpo. No caso dos pets, do corpo dos ditos cujos.

Para um livreiro como eu, isso é doloroso. Dizem que em priscas eras em Santos havia umas 50 livrarias de rua e uns também 50 cinemas de rua. Imaginem que maravilha, e que arrojo de cidade?

Pois saibam que recebi uma ligação de uma amiga recente, ela ficou minha amiga por tabela, me foi apresentada por um livreiro de SP, da macambúzia Livraria Cultura. Ele também não trabalha mais lá, na Cultura. Nessa ligação, ela, eufórica, bradava ao fone dizendo que finalmente está abrindo a sua livraria, e que eu a ajudei nessa convicção. E eu, daqui, dizia: nossa, só agora você conseguiu, já faz uns quatro anos que falamos! E ela me responde que é assim mesmo, no tempo dela.

Que maravilha, influenciei a abertura de uma livraria. Ela ainda me fez algumas perguntas técnicas sobre estoque, alguns números, e eu respondi o que podia, sempre salientando, sou melhor com letras do que com números, e essa doce ignorância me leva adiante.

Pena que esta futura livraria, ainda sem nome, estará em São Paulo. Seria tão legal aspirantes a livreiros em Santos. Não se enriquece, mas se aprende um tanto e se diverte outro bocado, podem acreditar.

Fica aqui uma ideia, ao invés de pet shops, barbearias hipsters, salões de beleza, academias de ginástica e as já faladas farmácias, que tal uma livraria?

Se há clientes para livrarias? Se você leu até aqui esta crônica, há esperança.

Obrigado pela preferência, voltem sempre!

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