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Sábado

24 de Agosto de 2019

José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

A bola e a menina

Hoje vou falar de futebol, mas sem abandonar o meu mundo, o mundo editorial. Apita o árbitro, começa a partida!

Confesso, prefiro futebol jogado por homens. No vôlei, no tênis e basquete, a maneira feminina de jogar, sua graça estética e menor potência em comparação aos brucutus são virtudes, no futebol, são defeitos. Acho que o jogo fica muito cadenciado. Pode ser culpa minha, minhas manias ou vício de acompanhar o esporte em outro mundo, o nosso.

Mas, uma coisa é certa: como elas sabem o que fazem, as meninas. A postura, a dedicação à nossa camisa, o discurso da Marta, que se coloca como uma oradora mais do que lúcida do esporte, são especiais.

E, se olharmos para o futebol masculino e seus moleques mimados, em seus pequenos países-ilhas, vivendo seus contos de fadas, perfeitos em suas síndromes de Peter Pan, a coisa fica dramática.

Sempre que escapo do meu mundo livreiro para falar de futebol, uma das minhas obsessões é voltar ao mundo livreiro, e isso é natural. Vou e volto pro ataque e defesa, como um elemento surpresa.

Preciso relembrar para vocês um dos maiores livros já escritos sobre a história cultural do futebol, da antiguidade até os nossos dias, um livro que merece fazer parte da biblioteca que investiga e desvenda o Brasil para os brasileiros, o ‘Veneno Remédio’, de José Miguel Wisnik, publicado pela Companhia das Letras. O vicentino Zé Miguel cria uma narrativa cheia de gingas, ritmo e propriedade, e nos aproxima e mistura o esporte bretão, deixando mais brasileiro do que nunca, o futebol.

Lembrando de passagens do livro, os jogos das civilizações pré-colombianas, os vivos contra os mortos; o futebol primitivo, em que a bola era um crânio; e depois do verniz inglês, quando se torna mesmo um esporte, portanto menos violento; tomo a liberdade, como leitor, de pensar em voz alta, ou melhor, pensar em forma de texto uma sugestão para as meninas no futebol.

Um campo menor, gol menor, e talvez um pouco menos de tempo, substituições livres, quem sabe dariam mais forma para elas.

Só não mexo com as suas emoções e suas batalhas pela igualdade. Sou fã das jogadoras, das suas lutas e conquistas, das suas fibras, dos seus brios.

Parabéns para elas.

Obrigado pela preferência, voltem sempre!

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