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Quinta-feira

23 de Maio de 2019

Ivan Sartori

Foi desembargador e Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Pegando Uber

Motorista de aplicativo, funcionário da Libra, me fez refletir sobre o quanto o trabalhador, principalmente sendo pai de família, sofre numa situação dessas, muito comum, por sinal

Facilitando minha mobilidade pela cidade, venho utilizando a motocicleta. Há muito vendi meu automóvel. Não conseguia me conformar com o tempo perdido no trânsito. Buzinas, exposição prolongada à fumaça, além de tudo. E, na impossibilidade de utilizar a moto, tenho o usado táxi ou Uber.

Semana passada, foi o que aconteceu. O motorista destacado para a viagem mostrou-se solícito, atencioso. Todavia, notei que, no painel do veículo, havia um uniforme colorido, com faixas fosforescentes. Perguntei do que se tratava e o motorista me respondeu, como eu já suspeitava, que era funcionário da Libra.

Disse que a empresa iria receber um último navio, havendo ali, ainda, pendências relativas a clientes antigos. Por conta disso, queixou-se que, possivelmente, perderia o emprego, pois, do quase milhar de empregados naquela empresa (sem contar os avulsos, esporadicamente convocados), apenas trezentos seriam mantidos. Por isso, inclusive, havia iniciado o trabalho na condição de motorista do Uber.

Esse quadro me fez refletir sobre o quanto o trabalhador, principalmente sendo pai de família, sofre numa situação dessas, muito comum, por sinal.

Afinal, são cerca de 13 milhões de desempregados no país.

O Governo Federal, preferencialmente, tem sim o duro encargo de gerir essa crise, mas, nós cidadãos devemos coadjuvar essa gestão. O que dizer então dos municípios.

Em Santos, a crise vem bem retratada no claro esvaziamento do comércio na zona central, num crescendo preocupante. O Centro, antes pujante, hoje já não dá mostras de movimento significativo. As razões são inúmeras: desde a redução da mão de obra no porto até os incontáveis tombamentos levados a efeito, passando pela expectativa frustrada relativa ao pré-sal, shoppings e comércio nos bairros.

É preciso, urgentemente, criar política pública local capaz de reverter esse estado de coisas. Incentivo fiscal para quem vier a se estabelecer na zona central, com crescente redução da carga tributária, proporcional ao numero de empregos gerados; instalação de equipamentos públicos capazes de atrair o munícipe, a começar pelo centro de convenções, são algumas alternativas.

Há, inclusive, a possibilidade de transformar os armazéns 1 e 8, no Valongo, em polo gastronômico, a exemplo de Buenos Aires e Lisboa. Pode-se pensar, ainda, na alteração da lei de zoneamento, com vistas a propiciar o deslocamento gradual e prospectivo de novos empreendimentos para aquele lugar, agora tão pouco celebrado.

Aliás, por que não fomentar o turismo negocial ou mesmo o ecológico na área continental? Quanto a este, diga-se, já há alguns exemplos, como a Trilha Cabuçu, a Estância Diana, os Sítios Quatinga e Itabatatinga, dentre outros! Por aí, viável gerar empregos e povoar o centro. É… Mais um 1º de maio chega e pouco pode ser celebrado por estes lados! Vale refletir! Por mais emprego!

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