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Sábado

11 de Julho de 2020

Ivan Sartori

Desembargador aposentado, ex-presidente do Tribunal de Justiça, mestre em Direito da Saúde e professor de Direito Civil na Universidade Santa Cecília (Unisanta).

O momento é de união!

Todos nós, enquanto sociedade, temos que fazer a nossa parte, sob o risco de não termos ferramentas para combater o inimigo comum, inegavelmente, o novo coronavírus

Um ato cívico, para apoiar os profissionais da saúde em geral aconteceu na noite da quinta-feira, 19 de março. Das janelas de seus apartamentos e casas, muitos brasileiros fizeram questão de aplaudir os médicos, enfermeiros e todos os envolvidos no combate à pandemia mundial do novo coronavírus, que  preocupa as autoridades e nossa população em geral.

Divulgado nas redes sociais aqui no Brasil com a hashtag #aplausosnajanela, a postagem conclamou a população, em estado de confinamento, a aplaudir e prestar uma homenagem merecida para os verdadeiros heróis, que se empenham para salvar vidas. expostos ao risco permanente.

O chamamento viralizou nas redes sociais no decorrer da quinta, a par de uma outra convocação para a noite de sexta, 20, às 20:30, com o mesmo objetivo.

O aplauso coletivo aconteceu de fato e repercutiu na mídia, resultando em destaque os principais valores que devem imbuir a sociedade em momento tão delicado, vale dizer. a empatia e a solidariedade.

Em contraponto, vieram aqueles que estão pregando o ódio e a divisão por meio de “panelaços”, querendo se aproveitar do delicado momento para uso político. A exemplo dos países europeus, aplausos foram registrados pelo menos em São Paulo, Brasília, Recife, Salvador e Florianópolis.

Os panelaços que estimulam a deposição do presidente eleito, em minha avaliação, apesar de serem uma manifestação democrática válida, são inteiramente descabidos em momento sem precedentes, em que as famílias, temerosas, seguem confinadas em suas casas.

E o número de mortes tende a se acentuar no país. A paixão política desmedida, o desejo de revanche pela deposição de Dilma Rousseff, inclusive, ratificada recentemente no Supremo Tribunal Federal (STF), e o gosto amargo da derrota nas urnas, explica, mas não justifica, atitude tão mesquinha por parte de uma minoria que tenta se impor, inclusive com apoio maciço de organizações que deveriam ser isentas.

Pessoalmente, divergi do presidente Bolsonaro, quando minimizou o impacto do novo coronavírus no Brasil. No entanto, tenho a clara percepção de que já houve mudança de entendimento por parte dele, tanto que as atitudes das esferas governamentais, inclusive do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e de sua equipe, são auto explicativas e dizem muito mais do que uma possível frase mal colocada ou fora de contexto, que, de longe, já foi superada por ações posteriores muito mais relevantes.

Diante desses dois cenários distintos, a escolha dos brasileiros, em geral, está muito clara. A situação é grave e a hora é de apostar no que nos une como nação e não no que nos divide. Hora de entender que o Brasil precisa de união, não de manifestações egoístas e inoportunas. Vamos seguir as orientações sanitárias à risca para ultrapassar esse pesadelo o mais breve possível.

Todos nós, enquanto sociedade, temos que fazer a nossa parte, sob o risco de não termos ferramentas para combater o inimigo comum, inegavelmente, o novo coronavírus. Senão, nenhuma política governamental será suficiente.

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