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Quarta-feira

11 de Dezembro de 2019

Ivan Sartori

Desembargador aposentado, ex-presidente do Tribunal de Justiça, mestre em Direito da Saúde e professor de Direito Civil na Universidade Santa Cecília (Unisanta).

Lava Jato segue na luta contra a corrupção

Decisão da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em prorrogar a força-tarefa por mais um ano, foi lógica e esperada

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, decidiu prorrogar por mais um ano a força-tarefa da Operação Lava Jato, no Paraná, a quinta vez desde que o grupo de atuação foi criado em 2014.

Uma decisão lógica e esperada, já que o prazo para as atividades da força-tarefa acabaria em 9 de setembro. Quem me acompanha neste importante espaço semanal, para propostas de reflexão e exposição de ideias, já deve estar habituado com a defesa enfática e incondicional que venho fazendo da Lava Jato, alvo de ataques constantes daqueles que desejam o retrocesso na luta contra a corrupção endêmica que assola nosso país, movidos por interesses espúrios já amplamente conhecidos pela opinião pública.

Dodge manteve a coordenação do procurador da República Deltan Dallagnol, vítima de uma desproporcional ação de invasão de privacidade promovida por criminosos às voltas com a Justiça. Essas conversas vieram a público graças a um site de origem duvidosa, respaldado por uma pequena parte da imprensa fiel à narrativa de inocência do presidiário Lula e por adoradores do partido que se colocava como defensor dos menos favorecidos. O mesmo que, ironicamente, foi flagrado, em mensagens vazadas, num “diálogo cabuloso (sic)” com a facção criminosa primeiro comando da capital, o famigerado PCC.

Embora a publicação da prorrogação ainda tenha que ser submetida ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), onde Deltan enfrenta algumas denúncias, evidentemente descabidas, acerta a PGR ao se posicionar ao lado da Justiça, em prejuízo dos crimes cometidos contra a nação. Um escândalo de corrupção que não encontra paralelo no mundo, por conta de suas dimensões e cifras envolvidas. A procuradora-geral, cujo mandato termina no próprio mês de setembro, tem pretensões concretas de permanecer no cargo, embora não se saiba, ainda, se terá êxito nesse seu intento.

Em nota à imprensa, a PGR chegou a dizer que Deltan tem a garantia constitucional de não ser afastado dos processos da Lava Jato, dos quais é o promotor natural, atuando em conjunto com os demais membros da força-tarefa, designados pela procuradora-geral.

Em um momento de reação das forças retrógradas, amparadas até com uma certa leniência por alguns membros do STF e pelo grito daqueles que estão ou sabem que estarão, inevitavelmente, na mira da operação Lava Jato, tem-se por alvissareira a decisão de Dodge, no sentido de que a luta contra a corrupção em larga escala não será interrompida.

Nessa linha, um dia, quem sabe, o crime não será mais o paradigma que norteará as práticas político partidárias que governam nosso Brasil.

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