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Quinta-feira

17 de Outubro de 2019

Ivan Sartori

Desembargador aposentado, ex-presidente do Tribunal de Justiça, mestre em Direito da Saúde e professor de Direito Civil na Universidade Santa Cecília (Unisanta).

A superada estratégia da esquerda radical

Aquela ideia de que muitos dizendo a mesma coisa acaba tornando verídico um fato falso não tem mais espaço na atualidade

Deputados criticam asperamente, hostilizam e até ofendem Sérgio Moro, por ocasião de audiência na Câmara Federal.

É o que noticia a imprensa.

Ocorre que, em verdade, esses parlamentares não fazem oposição no sentido político da palavra, mas, pregam o ataque pessoal, a retaliação, por conta da prisão de seu líder maior, Lula da Silva.

Moro foi um juiz exemplar e cumpriu seu dever. As provas indicavam a culpabilidade exacerbada de Lula, tanto que duas instâncias imediatamente superiores mantiveram o veredito de Moro.

Agora, como costuma fazer a esquerda cega, radical, a serviço do petista maior preso, querem distorcer a realidade em proveito próprio, valendo-se de prova completamente ilícita.

Esquecem-se esses mandatários, entretanto, que o “jus esperniandi”, protagonizado, principalmente, por Maria do Rosário, não é mais eficaz.

Esses tempos já foram. Aquela ideia de que muitos dizendo a mesma coisa acaba tornando verídico um fato falso, do que sempre se valeu a esquerda radical, não tem mais espaço na atualidade. A população está esclarecida, haja vista os movimentos de rua, em prol da previdência e do ministro Moro.

Uma amiga ex-assessora de uma deputada petista de Santos conta que, no início dos anos 2000, começou a trabalhar nessa função com muita vontade, pois, acreditava nos projetos do PT. Conversava com a deputada, discutia e expunha ideias com as quais ela acabava concordando. Mas, depois que se reunia com a militância e outros parlamentares do partido, a deputada voltava com outro discurso. E essa amiga assustou-se ainda mais quando começou a ver que todos os parlamentares petistas (muitos, agora, psolistas), inclusive a deputada sua chefe, voltavam das reuniões falando exatamente as mesmas palavras, em cada detalhe.

Ela percebeu que se tratava de uma verdadeira seita, a serviço do grande líder, hoje preso. Pediu demissão.

Como se costuma dizer, engana-se muita gente durante algum tempo ou pouca gente durante muito tempo, mas, não toda gente o tempo todo.

Essa postura de ofender o ministro Moro, repetindo o discurso de que Lula foi vítima de um juiz parcial, não vai ter o efeito pretendido, simplesmente porque a realidade político-social mudou. Agora, é o momento da verdade real e que não pode ser distorcida.

O povo não só está a postos, como também se expressa com veemência, sabendo exatamente o que está acontecendo. Já foram aqueles tempos em que, incautos, éramos enganados por aproveitadores inescrupulosos travestidos de políticos.

O que se espera, agora, é que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar examine a conduta desses deputados, que agiram de forma completamente irresponsável, deseducada e tresloucada.

Aliás, isso já havia ocorrida quando de audiência a que compareceu o ministro Guedes.

Esquecem-se esses deputados que a urbanidade é o mínimo que se exige de qualquer pessoa, quanto mais numa Casa de Leis.

É certo que não se pode negar a quem quer que seja o direito de adotar a ideologia que lhe aprouver. A divergência, a discussão e a oposição construtiva são a tônica da Política. O que não se pode admitir é esse comportamento antidemocrático e chulo exibido por alguns parlamentares, exclusivamente a serviço do grande líder de “pés de barro”.

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