Will (primeiro à esq.), Eduardo Argento e a prancha Não, na Praia do Itararé, em 1968 (Divulgação) William Rodrigues dos Santos, o Will, nascido em 1956 no bairro da Mooca, em São Paulo, integra a geração que ajudou a consolidar o surfe no litoral paulista. Frequentador assíduo da praia do Itararé, em São Vicente, onde a família tinha um apartamento no Tapetão, Will tornou-se parte do núcleo pioneiro que formou a base da cultura do surfe local entre as décadas de 1960 e 1970. Aos sete anos, iniciou treinamento diário de natação, prática que manteve até os 19 anos, quando deixou o Exército. Essa formação esportiva foi determinante para seu desempenho no mar, a exemplo de outros exímios nadadores como o medalhista olímpico Manoel dos Santos, entre outros. Em 1968, aos 12 anos, recebeu dos pais sua primeira prancha - a "NÃO", uma das primeiras mini models produzida no Brasil, desenvolvida pelos irmãos Dudu e Carlinhos Argento. O equipamento experimental se tornaria peça histórica na memorabília do surfe. Ao longo da adolescência, incorporou-se ao grupo de surfistas locais do Itararé, convivendo com nomes como Longarina, Odailton, Paulo Lichtner, Nicolau, Ventania, Vicente, Ney Sobral, Alemão, Lagartixa, Zé e Chico Paioli, Cocó, entre outros. A praia concentrava uma comunidade ainda pequena, mas que se organizava em torno de espaços marcantes, como o edifício Uiquend, o restaurante Forno a Lenha e a Twin. Esse ambiente funcionava como um polo de difusão do surfe na Baixada Santista. Aos 20 anos, Will mudou-se definitivamente para Santos para cursar Arquitetura na FAUS. Para complementar a renda, passou a produzir camisetas de forma artesanal. O negócio ganhou escala após uma viagem a Florianópolis, onde vendeu quase toda a produção durante um campeonato. A boa receptividade levou à formação de uma sociedade com Marcos Esmanhoto, o Bukão, em 1984. A parceria marcou o início de uma fase de expansão do surfwear na região. As peças produzidas por Will passaram a ser vendidas em lojas de referência, como Bali High e Unicórnio, além de alcançar o mercado paulistano. Com o crescimento das atividades de Bukão na organização do surfe amador - trabalho que o levaria a se tornar diretor de prova da ISA em eventos globais e olímpicos - a sociedade foi desfeita, Will permaneceu no ramo e abriu sua própria loja. A Will Surf tornou-se uma das surfshops instaladas na Galeria AD Moreira, então um dos principais centros comerciais ligados ao surfe em Santos. O espaço abrigava marcas como a loja de Picuruta Salazar, Aloha e Hot Sand, consolidando-se como um ponto de encontro para surfistas e consumidores de surfwear. Paralelamente, Will diversificou sua atuação, ingressando também na confecção feminina, com loja no Shopping Balneário por cerca de 20 anos. Além do surfe e do setor têxtil, Will construiu carreira na fotografia. Nos anos 1980, trabalhou como fotógrafo de shows, registrando bandas nacionais e internacionais durante a ascensão do rock brasileiro. Hoje, aos 69 anos, William Rodrigues segue ativo, produzindo camisetas para vendas online e atuando como fotógrafo de bancos de imagens. Sua trajetória combina esporte, empreendedorismo e produção cultural, compondo um capítulo relevante da história do surfe na Baixada Santista. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal