Histórias do Surfe: Miguel Loiro, o Lili

Miguel Jorge Júnior é bisneto de italianos, de espanhóis da Galícia e de portugueses, todos imigrantes

Por: Gabriel Pierin  -  14/05/24  -  06:29
Frank, Adilson Uruca e Miguel receberam apoio em época de pouco espaço para o surf
Frank, Adilson Uruca e Miguel receberam apoio em época de pouco espaço para o surf   Foto: Divulgação

O passado europeu corre na veia desse santista nascido em 8 de novembro de 1957. Miguel Jorge Júnior é bisneto de italianos, de espanhóis da Galícia e de portugueses, todos imigrantes por ocasião da Segunda Guerra Mundial. O brasileiro fez o caminho de volta e hoje vive em Barcelona, região espanhola da Catalunha.


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Seus pais se casaram no ano de 1956. Miguel Jorge era escriturário químico na petrolífera Texaco, quando conheceu Maria Shirley Ramacciotti, estilista de moda e contadora na loja de tecidos Helena, da família. No ano seguinte ao casamento, nasceram os gêmeos Miguel e Margareth.


Aos sete anos, a família mudou-se para a rua Paraíba, entre os canais 1 e 2, a uma quadra da praia do José Menino. Nesse período da infância, como qualquer garoto morando perto da praia, Miguel surfava de peito sobre sua pranchinha de isopor Planondas, e com o passar do tempo, ele e outros moleques das ruas vizinhas, como os gêmeos Luís e Beto, introduziram uma quilha de madeira para tentar surfar em pé.


A primeira vez que Miguel viu uma longboard foi na academia de judô da rua Euclides da Cunha, onde o Sensei e surfista Jô Hirano mantinha esse canhão sobre dois cavaletes no caminho do Dojô. Hirano, um típico japonês com seu tradicional chapéu de palha, foi um dos primeiros a surfar no canal 1 com prancha de fibra e Miguel logo se encantou pela prática do surfe. Sua primeira prancha de fibra, no peculiar formato de uma gota d'água, foi comprada na Mansurf, do Elias Mansur.


Nos anos 1970, Miguel Loiro, conhecido como Lili, começou a pegar ondas no Itararé, entre a ilha Urubuqueçaba e a Pedra da Feiticeira, com os amigos Dog, Leco, Bulina, Cavera, Almir, Jaime Ventania, Picuruta, Sapo, Tio, Hélio Marques, Albano, João Molina, entre outros. As surftrips para outros picos distantes não tardaram a acontecer.


Em 1974, Miguel Lili e Lequinho Salazar viajaram ao Rio de Janeiro. Naquela viagem o surfe estava em segundo plano, pois Lequinho, o Boi, era um promissor jogador de futebol e tinha um teste em uma grande equipe carioca, o Flamengo. Mas, quis o destino, que no dia da peneira entrasse um incrível swell com ondas perfeitas no Quebra-mar da Barra da Tijuca. O surfe falou mais alto e Lequinho resolveu pegar onda. A praia estava cheia e as esquerdas alucinantes. Apesar da forte presença dos locais, Lequinho se posicionou no pico, dropou uma onda de backside - um drop difícil e tubular - alcançou a base, trocou de pé e entubou, finalizando com várias pauladas na crista da onda. A cariocada saiu da água para ver o Boi arrebentar. Um dia histórico em que Lequinho abriu as portas para o amigo Miguel surfar o pico e viver aquela magia.


No final da década de 1970, Miguel, Frank e Uruca, surfistas do Quebra-mar, no Emissário Submarino recém-inaugurado, conquistaram o patrocínio da PAP'Sport, loja de artigos esportivos aberta na mesma época, que apostou nos jovens cabeludos, quando o surfe era estigmatizado e atraía poucos patrocinadores.


Depois de se formar pela Faculdade de Educação Física de Santos, a FEFIS, Miguel foi professor de Ginástica Rítmica na mesma instituição, dando continuidade ao trabalho do lendário professor Godofredo.


Miguel também era atleta de Aeróbica de competição, patrocinado pela FEFIS e pela Academia Competition de São Paulo. Nessa época outros santistas se destacavam na modalidade, entre eles, Stael Morais, Sérgio Biscardi e Renata Azevedo, a primeira campeã brasileira de Aeróbica. Miguel conquistou os títulos de vice-campeão brasileiro em 1991 e 1992, e campeão ibero americano em Miami, nos Estados Unidos. Depois de terminar a carreira como atleta, continuou na competição como treinador de grandes atletas, conquistando títulos mundiais.


O renomado treinador viajou pelo mundo como palestrante em diversas convenções fitness pela Espanha, Itália, França, Alemanha, Bulgária, Tchecoslováquia (atual República Tcheca), Coréia do Sul e Estados Unidos. Com uma proposta de trabalho para assumir a direção técnica da primeira mega academia em Barcelona, Miguel se estabeleceu na cidade onde mora até hoje.


Ele atua ao lado da esposa, Marian Tarín e juntos fundaram a Pilatistic Old School Pilates, uma escola internacional de Pilates, com profissionais em 19 países no mundo. Miguel continua surfando e mantém seu quiver de pranchas e um bom neoprene para encarar a água fria do Mar Mediterrâneo.


Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal


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