(Bruno Alves/Divulgação) Nascido em Blumenau (SC), em 3 de maio de 1963, David Arruda Husadel se tornou um dos nomes mais importantes da geração que consolidou o surfe em Santa Catarina. Filho de Oswaldo Silva Husadel e Dilza Arruda Husadel, cresceu em uma família de fortes raízes catarinenses. Seu pai, descendente de imigrantes alemães, foi integrante da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, tornou-se o primeiro professor de Educação Física do estado. Já sua mãe pertencia a uma tradicional família de Lages. A ligação com o surfe começou ainda em 1974. Morando em Lages, David assistiu a uma reportagem sobre o Havaí no programa Esporte Espetacular e ficou fascinado. Meses depois, em julho, sua família se mudou para Balneário Camboriú. Em novembro daquele ano, ao observar alguns surfistas na Praia Central, pegou uma prancha de isopor e tentou repetir o que via no mar. A partir daquele verão, o surfe passou a fazer parte de sua rotina. Entre seus companheiros estavam Waldemar Bilo Wetter Neto, Fernando Lâmpada, Havaiano e Mostarda. As suas grandes referências da época eram Rubens Bita Pereira e Neko Rodrigues, surfistas de Florianópolis que ajudaram a apresentar ao jovem catarinense outras ondas do litoral do estado. Sua primeira prancha de fibra surgiu em 1976: uma Luanda monoquilha 6’8’’, comprada por 1.500 cruzeiros de um veranista de Florianópolis. Pouco depois vieram as primeiras competições. Em 1977, disputou a categoria júnior tradicional campeonato Gledson, na Praia de Atalaia, em Itajaí, e teve seu nome publicado pela primeira vez na revista Brasil Surf. Em 1979, conquistou o vice-campeonato de uma etapa estadual na Atalaia e, em 1980, encerrou o primeiro Circuito Catarinense em terceiro lugar na etapa final da Joaquina. O grande salto aconteceu em 1981, quando se mudou para Florianópolis após ser aprovado no curso de Computação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Naquele ano venceu o São Chico Pro, em São Francisco do Sul, e a Taça Governador Jorge Bornhausen, na Praia da Joaquina, já competindo pela equipe Tropical Brasil. Entre 1982 e 1984, dominou o cenário estadual ao conquistar três títulos consecutivos do Circuito Catarinense. Em 1985, mudou-se para San Diego, na Califórnia, onde trabalhou em diversas atividades enquanto aprendia inglês e vivia o sonho de surfar no exterior. No final do ano, seguiu para o Havaí. A experiência internacional trouxe resultados imediatos: em janeiro de 1986 venceu o tradicional OP Pro, na Joaquina, uma das conquistas mais importantes de sua carreira. No segundo semestre, Husadel fechou o patrocínio com a OP. A vitória abriu caminho para patrocínios e viagens marcantes pela Austrália, Bali, Europa, Marrocos e, posteriormente, África do Sul. Em uma época sem GPS ou internet, David e seus companheiros percorreram estradas e praias pouco exploradas, vivendo algumas das mais autênticas surftrips da geração pioneira do surfe brasileiro. Em 1987, participou do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional, organizado pela Abrasp, encerrando a temporada na 13ª colocação nacional. Naqueles anos, dividia baterias com nomes como Neno do Tombo e Almir Salazar, consolidando-se entre os principais competidores do país. Sua carreira profissional teve ainda resultados expressivos, como o terceiro lugar no ranking brasileiro de 1989, o título do Mormaii/Lokobeach de 1990 e o Campeonato Brasileiro Gran Master de 2005. Considerado um dos primeiros surfistas do Sul do Brasil a conquistar patrocínios nacionais, competir regularmente no exterior e viver profissionalmente do surfe, David também atuou como presidente da Abrasp, colaborador da revista Inside, técnico da equipe da Fecasurf e empresário do setor. Atualmente mora no Campeche, em Florianópolis, trabalha na Gestão de Projetos de Extensão da UFSC e segue surfando. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal.