(Imagem criada por IA) Sabe aquela história de que trocar pessoas por robôs é o caminho mais curto para o lucro? Pois é, o mercado está vivendo uma ressaca coletiva ao descobrir que esse mantra pode ser o mito mais caro da década. O que parecia uma economia certa virou uma matemática indigesta, onde os custos com infraestrutura e os famosos tokens das IAs já estão, em muitos casos, atropelando o valor das folhas de pagamento. A armadilha fica ainda mais evidente quando olhamos para a rotina das equipes: se o colaborador mais sênior e bem remunerado gasta o mesmo tempo revisando o que a máquina cuspiu do que levaria para fazer o trabalho do zero, você não economizou nada. Na verdade, você acabou de dobrar o custo de operação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No meio desse “barulho” para construir datacenters e parecer tecnológico, muitas empresas estão apenas trocando o custo que são as pessoas por um outro custo mais difícil de controlar. O fenômeno mais curioso, e perigoso, que vemos nos corredores corporativos hoje são times preparados para desenvolver agentes de IA com o objetivo de resolver problemas que, na prática, não fazem a menor diferença para o negócio. É o clássico erro de colocar a tecnologia na frente da estratégia. Afinal, automatizar um processo que já é ineficiente e bagunçado só serve para fazer com que o erro aconteça muito mais rápido e em uma escala gigante. A automação, nesse caso, deixa de ser um remédio e vira um holofote que ilumina a desorganização da casa. Para jogar um balde de água gelada no entusiasmo, dados da empresa de consultoria empresarial McKinsey mostram que menos de 20% das companhias conseguem de fato provar que a IA aumentou o lucro operacional. O novo normal tem sido investir pesado em ferramentas que não trazem retorno financeiro real. Por isso, a automação inteligente de verdade não nasce no código, mas na coragem de perguntar se a empresa realmente precisa daquilo ou se está apenas tentando parecer moderna enquanto joga dinheiro fora. Antes de abrir mão de talentos humanos, é fundamental garantir que a nova inteligência artificial não seja apenas um estagiário digital caríssimo, sem discernimento e que custa uma fortuna por mês. A verdadeira maturidade digital não é sobre quem tem a IA mais potente, e sim quem tem os processos mais limpos. A próxima grande tendência não será a “automação total”, mas a "simplificação radical" porque ela propõe o caminho inverso: em vez de perguntar “como podemos automatizar isso?”, ela questiona “por que diabos ainda estamos fazendo isso?”. Muitas vezes, em vez de gastar milhões para automatizar uma tarefa burocrática chata, o mais inteligente (e lucrativo) é rever o processo e avaliar se essa tarefa precisa existir. Essa forma de pensar traduz a transição de uma empresa que “faz muito” para uma empresa que “faz o que importa”. O que você acha que é mais comum hoje nas empresas: admitir que um processo é inútil ou continuar gastando dinheiro tentando modernizar um processo ineficaz?