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Segunda-feira

24 de Junho de 2019

Eduardo Silva

É Diretor de Jornalismo da TV Tribuna. Além de dirigir a afiliada da Rede Globo na Baixada Santista e no Vale do Ribeira, é comentarista esportivo da TRI FM.

Coutinho: Genial e Genioso

Coutinho deixou o campo da vida para ser eternizado como um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos.

Só quem ama o futebol pode entender a devoção de torcedores, fãs e jornalistas pelos grandes ídolos dos gramados.

Eu, que tive a sorte de escolher a minha profissão graças a paixão pelo futebol e pelo rádio, cresci ouvindo esses nomes como se fossem super-heróis. Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. E nos meus sonhos eles eram mesmo, porque pareciam ter super poderes.

De encantar, de driblar, de fazer gols inesquecíveis e de transformar um simples jogo em um espetáculo de arte.

E isso na minha infância e juventude bastava para eu ser feliz. Eles e os outros craques do Santos e do futebol brasileiro eram as pessoas mais importantes na minha vida.

Eu só pensava em jogar bola, ler e ouvir os noticiários dos clubes e o Coutinho era o cara que fazia tabela com o Rei do Futebol. Naquela época, só ele, Dorval, Mengálvio e Pepe pareciam ter inteligência suficiente para acompanhar o raciocínio rápido do maior jogador de todos os tempos.

Era realmente um ataque mágico. Como a vida me deu muitos presentes, eu cresci e tive a chance de conviver com eles e ver que os meus super-heróis eram de carne e osso.

Se bem que José Macia, Pepe, o Canhão da Vila, sempre disse que um deles era um extra-terrestre: O Pelé. Mas, brincadeiras a parte, todos me encantavam. O Pelé por todos os motivos que o mundo conhece.  Dorval pela rapidez e habilidade, Mengálvio pela tranquilidade e generosidade dentro de campo, Pepe pelos chutes perfeitos e pela inteligência.

E o Coutinho? Ele era diferente de tudo. Craque como os amigos inseparáveis, um artilheiro fantástico com outras duas características: ele era genial e genioso. Genial porque fazia o improvável com a bola nos pés e sabia, melhor do que ninguém, como resolver uma jogada dentro da grande área. Se todos esperavam um chutão para estufar as redes, o irreverente Coutinho, com sua personalidade forte e marcante, preferia a sutileza de um toque refinado para a bola nem chegar ao fundo do gol.

Ele pensava antes e deixava todo mundo de boca aberta. Ele se divertia, com a inocência dos zagueiros adversários. Com o desespero dos marcadores. E era genioso, porque não tinha a menor paciência com a falta de inteligência de jogadores, árbitros e até jornalistas. O seu humor variava muito e suas reações ficavam até engraçadas quando estava irritado.  Com esse temperamento e a malandragem de quem já era profissional com 14 anos, ele parecia entrar em campo para provocar os 'inimigos' com toda sua qualidade. Coutinho brincava de jogar futebol. Se divertia e, por isso, era um fora de série. Nasceu com o dom de jogar, driblar e fazer gols, mas com muita sensibilidade aprendeu cedo a observar os melhores de perto.

Tão esperto que logo viu que o seu concorrente da posição era um gênio chamado Pagão. Ele foi a grande referência de Coutinho. E, numa conversa comigo, ele disse que ficava vendo as jogadas de Pelé e Pagão para aprender mais rápido os segredos da bola. E para quem pensa que ele tratava Pagão como rival, em todos os papos sobre futebol, Couto sempre enalteceu Paulo César de Araujo, o Pagão, como seu maior ídolo. Era uma admiração imensa.

Coutinho deixou o campo da vida para ser eternizado como um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos.

Ele partiu, mas suas histórias, seus gols, suas jogadas e suas respostas inteligentes, tão desconcertantes quanto seus dribles, vão ficar sempre na nossa lembrança, afinal, um gênio não morre, apenas muda de plano.

Obrigado, Coutinho.

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