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Terça-feira

25 de Junho de 2019

Eduardo Silva

É Diretor de Jornalismo da TV Tribuna. Além de dirigir a afiliada da Rede Globo na Baixada Santista e no Vale do Ribeira, é comentarista esportivo da TRI FM.

A tradição do hóquei santista

A memória afetiva sempre me traz as melhores lembranças da infância e juventude. E graças a boa influência do meu pai, desde muito cedo, me apaixonei pelo esporte. Primeiro foi o futebol, depois o basquete, handebol, vôlei, atletismo, natação, judô e, durante um tempo, o hóquei sobre patins. 

A paixão pelo hóquei surgiu quando frequentava o antigo Clube de Regatas Santista e tive a chance de testemunhar uma época de ouro deste esporte na nossa região. Fui testemunha ocular da história. De um duelo espetacular. Nos anos 70, o Regatas Santista e o Clube Internacional de Regatas tinham os melhores times do Brasil. Isso mesmo.

Os dois formavam a base da Seleção Brasileira e ganharam títulos nacionais, graças a pessoas que amavam o esporte e aquela rivalidade saudável que elevava ao nível máximo a qualidade de seus jogadores. Os confrontos lotavam os ginásios dos dois clubes, movimentavam suas torcidas e os jogos eram muito nervosos. De um lado, o Azulão, com Xixa; Terroso, Teco, Haroldo e Mané. O técnico era o próprio Terroso. Um craque português, que depois virou técnico da Seleção Brasileira. 

De outro, o Vermelhinho, de Brancatto; Heládio, Zé Guedes, Silvio Marreco e Alfredo.  O técnico era Fred Jacques. Duas seleções formadas, na mesma cidade, e divididas por apenas uma rua da Ponta da Praia, onde está até hoje o Inter e onde era a sede do Regatas. Esses jogadores marcaram a minha infância e durante um tempo eu não perdia um jogo de hóquei. 

Todos eles, das duas equipes, viraram meus ídolos. Alguns são meus amigos até hoje. E essa geração influenciou muito mais gente. No Regatas, surgiram os irmãos Pazos, Aristides, Oscar e Nereu, com técnica e muita raça. E também o goleiro Bill, da Seleção Brasileira, que hoje vive na Itália. No Inter, outros talentos surgiram como Claudinho, que o hóquei também levou para a Itália, e Arthur, goleiro e amigo querido, que nos deixou cedo, assim como o Haroldo, do Regatas, o Alfredinho e Heládio, do Inter. Que jogadores.

Antes dessa época o hóquei santista já tinha história e era forte com  um goleiro fantástico da Seleção Brasileira, Nilson Costa. Os filhos dele seguiram o seu esporte, Nilson, o Bacalhau,  Zé Emídio e Joãozinho também se destacaram muito.

O hóquei de Santos está na história pelos títulos, pelos craques e pelos apaixonados que se dedicaram a essa modalidade, como Enzo Scarlatti, que por muitos anos foi o responsável pelo hóquei do Regatas Santista, Chico Fornos, na Federação Paulista, Capita,  Seu Sossego,  pai do craque Zé Guedes, Geraldinho Nakasato, levantador genial do vôlei que foi preparador físico da equipe de hóquei.

Certamente, tem muito mais gente que fez a história do hóquei na cidade de Santos, e que não tive a sorte De conviver, mas como disse no início do texto minha memória afetiva é quem dita minhas melhores lembranças do esporte. Por isso, deixo aqui a minha homenagem aos esportistas que fizeram de Santos a capital do hóquei no Brasil nos anos 70.

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