A recuperação dos gaúchos

A gestão da crise, que obviamente precisa de um comando central, tem que ser compartilhada com o estado e as prefeituras

Por: ATribuna.com.br  -  15/05/24  -  06:32
  Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini/Divulgação

Aos poucos as fontes de recursos e as iniciativas para a reconstrução do Rio Grande do Sul são delineadas. Linhas de crédito emergenciais, liberação prioritária de verbas de programas, como FGTS e seguro-desemprego, financiamento de bancos de fomento internacionais e vouchers, que são aqueles bônus mensais temporários, e suspensão dos juros da dívida gaúcha com a União estão entre as medidas para reduzir o sofrimento da população e o impacto da paralisação das empresas.

O governo estadual também vai distribuir entre 50 mil famílias cadastradas um cheque de R$ 2 mil, após os depósitos via Pix terem somado R$ 101 milhões. Além disso, há as inúmeras doações de todo o País, que ainda precisam chegar aos mais necessitados, resultando em um desafio logístico, pois muitas famílias, mesmo ficando em casa, perderam itens essenciais.


Melhor seria se o País já tivesse um plano de ação específico para catástrofes, algo comum em países acostumados a furacões e terremotos, mas que no Brasil já era cobrado após a multiplicação dos registros de enchentes e secas.


O Governo Lula pretende nomear uma autoridade federal para dar conta da gigantesca demanda da crise climática do Rio Grande do Sul, que não se sabe quando vai terminar, pois os temporais e as cheias persistem. De qualquer forma, a gestão da crise, que obviamente precisa de um comando central, tem que ser compartilhada com o estado e as prefeituras.

O problema é que os políticos querem mostrar serviço às vésperas das eleições municipais e, em meio a oportunistas ou ambiciosos sem limites, sempre há aqueles que pretendem aparecer mais que os demais. Também já começou a aparecer muita briga entre adversários num país polarizado, uma disputa sem nenhuma serventia para uma população que precisa de socorro, e no médio e longo prazo, depende de auxílio para recuperar suas casas, seus empregos e o equilíbrio emocional.


Os governos precisam fazer sua parte, enquanto a sociedade demonstra uma enorme solidariedade, enviando ajuda de todo o tipo aos gaúchos. Porém, apenas o tempo vai mostrar o quanto a economia do Rio Grande do Sul foi destruída e com que velocidade ela vai se recuperar.

Além da infraestrutura dos municípios destroçada, como vias públicas e serviços de eletricidade e saneamento, as famílias terão que recompor seu bens em casa, o que vai pesar na renda, mesmo que os vouchers e doações de Pix sejam distribuídos.


Muitas empresas estão com seu maquinário inutilizado, assim como lojistas e fazendeiros também amargam a perda total. Há até shoppings alagados ou transformados em ponto de arrecadação de mantimentos, com funcionários em ponto facultativo porque não há público para consumir. A devastação, que continua, tem um impacto difícil de dimensionar, mas, com união de toda a sociedade, o estado vai se reerguer.


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