Editorial A Tribuna

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Viver mais, com bem-estar

Há pouco tempo, completar 80 anos era feito memorável. Rapidamente, tal limite tem sido ampliado, e cresce o número de pessoas centenárias na população brasileira

A maior longevidade das pessoas é um fato em todo o mundo. No Brasil, em particular, a expectativa de vida vem crescendo de maneira acentuada. Em 2017, ela já atingia 76 anos, sendo 72,5 anos para os homens e 79,6 anos para as mulheres, segundo o IBGE. Atualmente, a sobrevida esperada para alguém que complete 60 anos no País é de 22,3 anos; em 1980, era de 16,1 anos. O salto registrado de 37,3% foi o quarto maior entre 202 países e territórios, de acordo com dados do Departamento de Demografia da ONU.  

As explicações são várias: diminuiu, de maneira expressiva, a mortalidade infantil, consequência de melhores condições de saúde na infância; o avanço da medicina é notável, com prevenção e tratamento de doenças; além do crescimento econômico que, apesar das crises agudas e recorrentes, traz melhoria na qualidade de vida das pessoas. 

Há pouco tempo, completar 80 anos era feito memorável, atingido por poucos. Rapidamente, tal limite tem sido ampliado, e cresce o número de pessoas centenárias na população brasileira. Amplia-se, de maneira acentuada, a quantidade de indivíduos acima dos 60 anos – eram 3 milhões em 1960, 7 milhões em 1975 e 14 milhões em 2002, com aumento de 500% em 40 anos, e esse número deverá alcançar 32 milhões em 2020. As projeções do IBGE apontam que, em 2060, haverá mais idosos do que jovens entre os brasileiros. 

O grande desafio que se coloca é como enfrentar essa realidade. Trata-se de uma questão com múltiplos aspectos: sociais, econômicos, culturais. A previdência é o tema mais agudo – as pessoas, vivendo mais, desequilibram as contas do sistema – mas há outros, como a atenção à saúde e a inserção efetiva de idosos ativos no mercado de trabalho. 

No fundo, a pergunta é como manter a independência e a vida ativa com o envelhecimento. Esse tema tem sido objeto do evento Envelheça Leve, promovido pelo Grupo <FI5>Tribuna</FI>, que vem reunindo especialistas e público numeroso e interessado para discutir diferentes aspectos do assunto.  

Há necessidade de políticas públicas para a Terceira Idade, na medida em que o Estado tem responsabilidades em relação à Previdência e Saúde Pública, bem como ações na área do emprego. Cada pessoa, entretanto, precisa fazer sua parte. É preciso pensar - e agir – para não surpreendido quando a velhice chegar. É possível, sim, atingir idades avançadas com qualidade de vida, mas isso exige preparo cuidadoso, que começa na juventude – alimentação adequada, exercícios físicos regulares, propósitos e metas para o futuro, planejamento financeiro, forte engajamento social – e principalmente vontade e disposição permanentes. 

A velhice não é, definitivamente, o abandono da vida. É mais uma etapa dela, que exige ser vivida em todas as suas dimensões, com trabalho, aprendizado, interesse e dedicação.  

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