Editorial A Tribuna

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Velho problema

Trata-se da crônica e persistente falta de dragagem de manutenção do Porto, questão que se arrasta há anos

O assunto é antigo, mas os problemas continuam no Porto de Santos. Mais uma vez é noticiado que a redução do limite máximo de calados operacionais - que representa a profundidade máxima na qual um navio pode navegar com segurança -, ocorrida em berços da Alemoa e da Ilha Barnabé, tem prejudicado a movimentação de granéis líquidos minerais no complexo santista.

Trata-se da crônica e persistente falta de dragagem de manutenção do Porto, questão que se arrasta há anos. Mais uma vez repetem-se situações anteriores: o contrato para realização do serviço de retirada de sedimentos na via de navegação terminou em abril, com a interrupção dos trabalhos. Embora a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) tenha assegurado que não havia riscos de restrições à vinda de navios, constata-se que isso está ocorrendo.

Na realidade, houve a redução do calado operacional em três berços destinados à operação de líquidos minerais: na Alemoa, foi de 70 cm em um ponto de atracação, passando de 10,9 metros para 10,2 metros; na Ilha Barnabé, a queda no berço foi ainda maior (1,20 m), passando o limite máximo do calado de 10,2 metros para 9,0 metros.

No ponto de atracação que permitia operação de embarcações com 10,4 metros de calado, agora só são permitidos aquelas com 9,5 metros abaixo da linha d´água.

Os problemas afetam de modo significativo o setor, tendo em vista que os berços da Alemoa e da Ilha Barnabé concentram as operações de granéis líquidos minerais no Porto de Santos.

O Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar) confirmou as dificuldades, e manifestou preocupação quanto ao aumento dos custos de demurrage, que é a estadia além do tempo previsto em contrato, diante do maior tempo de espera para navios da maior porte, cujo acesso ficou limitado. As cargas mais afetadas são os derivados de petróleo, que atracavam nos berços públicos, e agora terão que atracar obrigatoriamente nos privados. 

A Associação Brasileira de Terminais de Líquidos (ABTL) também reafirma as dificuldades, diante da grande redução ocorrida no calado, que chegou a 1,20 m, afetando operações que já estavam designadas para este berço. A Codesp, por sua vez, informou que descarta, por hora, a contratação de dragagem emergencial, lembrando que licitação ordinária para os serviços está próxima do fim, resultando em contrato de 24 meses.

Alguns serviços urgentes, como a recuperação das defensas do cais 1 e 2 da Alemoa, já estão contratados, e deve ser iniciada a construção de um novo píer na Ilha Barnabé e, com a licitação recente da área STS 08, o Porto ganhará mais dois berços para líquidos minerais.

Os problemas, entretanto, existem, e exigem soluções rápidas e eficientes. Até aqui, a dragagem do canal e dos berços é uma história de dificuldades sem fim.

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