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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Editorial A Tribuna

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Vacinação ainda distante da meta

Meta na Baixada Santista é vacinar 626,5 mil moradores até o fim de maio, mas, de acordo com o último balanço, foram aplicadas apenas 262 mil doses

Os números são preocupantes: apenas 41% do público-alvo na Baixada Santista foi vacinado contra a gripe. Neste mês, as atenções foram voltadas a pessoas com mais de 60 anos, e foi feito mutirão no sábado, 4 de maio, amplamente divulgado, com todas as policlínicas abertas durante todo o dia, além de outros postos espalhados pelas cidades da região.

Constata-se que muitas pessoas continuam indiferentes, aumentando o desafio das autoridades de saúde. A meta na Baixada Santista é vacinar 626,5 mil moradores até o final de maio, mas, de acordo com o último balanço, foram aplicadas apenas 262 mil doses, mostrando quadro ainda pior do que o nacional, na medida em que, no país, 45,3% da população foi imunizada.

Os alertas têm sido feitos: a gripe não é uma doença simples e inofensiva. Nos grupos de maior risco, suscetíveis ao agravamento de problemas respiratórios, como crianças de pouca idade, idosos e pessoas com patologias crônicas, podem acontecer sérias complicações. O Ministério da Saúde confirma que, neste ano, até 27 de abril, já morreram 99 indivíduos em decorrência do vírus influenza no país, e a modalidade A (H1N1), predominante, é a maior responsável pelos óbitos, com 89 casos.

A questão vem se repetindo em outras campanhas que foram promovidas. Quando são comparados dados nacionais de 2015 e 2017, nota-se expressivo recuo, da ordem de 20%, na cobertura vacinal em doenças como poliomielite, hepatite A, meningite C, rota vírus, penta valente e hepatite B, ficando, em todas elas, abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo especialistas, há várias razões que explicam o fenômeno. Um deles é a percepção enganosa que não é preciso vacinar porque as doenças foram erradicadas; outras estão ligadas ao desconhecimento do calendário de vacinações infantis (hoje são 14 vacinas, contra seis nos anos 1990), ao receio que haja reações e complicações provocadas pela imunização, e à falta de tempo de muitos, que não conseguem comparecer aos postos e policlínicas.

Não deve ainda ser descartada a influência de notícias falsas que circulam nas redes sociais sobre malefícios das vacinas. Em maio de 2017 foram identificados no Facebook cinco grupos brasileiros anti vacina, com cerca de 13 mil integrantes.

É preciso romper com a desinformação e com boatos. Vacinas são necessárias e capazes de impedir doenças graves, sem riscos ou intercorrências. Há cerca de 60 vacinas aprovadas para uso humano, que protegem contra 26 doenças graves causadas por vírus ou bactérias. A cada ano, segundo a OMS, a vacinação evita a morte de 2 milhões de crianças até cinco anos. Cabe divulgar amplamente essa realidade, e fazer com que as pessoas sejam mobilizadas, conscientes que vacinar é, em última análise, salvar vidas.

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