Editorial A Tribuna

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Vacinação a passos lentos

Ainda há um longo caminho a ser percorrido, que não terá a velocidade desejada pelo menos até março

A chegada programada para hoje das vacinas da parceria AstraZeneca/Oxford produzidas na Índia trazem um alento para o Plano Nacional de Imunização (PNI). Com o Brasil atrasado na vacinação frente a mais de 50 países no mundo por erros do Governo Federal, prefeituras e estados dependem pelo menos até hoje das doses da CoronaVac do Instituto Butantan, que são insuficientes nesta primeira etapa. O que se tem visto é o início da vacinação em dezenas de municípios praticamente de forma simbólica. As unidades estão sendo divididas de forma proporcional ao número do habitantes ou dos profissionais da saúde local, com cobertura da imprensa e registro nas redes sociais, mas sem condições da aplicação em massa por falta do material. Os políticos se aproveitam da exposição e o governador João Doria o tem feito com maestria, mas seu esforço pela parceria com o laboratório chinês Sinovac merece o reconhecimento pela importância que tem agora para tentar cercar o novo coronavírus. 

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A farta divulgação das primeiras vacinações é fundamental para o efeito educativo da campanha, mas é preciso que se acelere o passo nos postos para aproveitar o espaço na mídia e nas redes sociais como forma de convencimento. Apesar do encantamento claro da população com a inauguração do PNI nas primeiras cidades privilegiadas, há um imenso trabalho a ser feito. A decisão por vontade própria de tomar a vacina já conquistou a maioria, mas há brasileiros reticentes. No Rio de Janeiro, as equipes de vacinação encontraram alguns idosos alegando motivação ideológica para não se imunizarem. Trata-se de um absurdo devido aos riscos da faixa etária e por se tratar de questão de saúde que afeta a todos.

Israel se tornou exemplo mundial por neste momento ter por volta de 30% da população imunizada. É verdade de que se trata de um pequeno país com apenas 9 milhões de habitantes, menos do que o Paraná, mas sua organização é impecável. No Brasil, os sucessos do PNI são conhecidos, tanto que as primeiras doses da CoronaVac já foram aplicadas em cidades pequenas e afastadas. Definitivamente, a eficiência do PNI não é um problema e sim a desorganização do ministro da Saúde, Eduardo Pauzello, para reservar doses junto aos laboratórios mais adiantados com suas vacinas.

Mesmo com a chegada da primeira remessa indiana, ainda não há como vacinar em massa. São apenas 2 milhões de doses, além de outras 4,8 milhões da segunda leva que o Butantan aguarda para serem autorizadas para uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Considerando que são 210 milhões de brasileiros a serem vacinados, ainda há um longo caminho a ser percorrido, que não terá a velocidade desejada pelo menos até março devido à inoperância do presidente Jair Bolsonaro nesse caso. Tal desempenho é inadmissível, ainda mais com a gravidade que a pandemia se manifesta no País. 

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