Editorial A Tribuna

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Tragédia do Rio de Janeiro

Quem está no poder se serve como isso fosse seu direito, manipulando verbas e nomeando nomes de confiança

É missão ingrata apontar políticos do Rio de Janeiro sem complicações com a Justiça. Presa na sexta-feira por suposto esquema de fraude de licitações de R$ 120 milhões, Cristiane Brasil (PTB) é o terceiro nome dos candidatos à Prefeitura carioca a ser investigado. Os outros dois são Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos). A situação é pior ainda no Governo do Estado do Rio. Wilson Witzel, sob ameaça de impeachment, é o sexto governador investigado nos últimos quatro anos, depois de Moreira Franco, Anthony Garotinho, Rosinha Matheus, Luiz Fernando Pezão e Sérgio Cabral. Apenas Cabral continua preso. 

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Depois de São Paulo, o Rio de Janeiro está entre os principais centros econômicos e educacionais do País, domina a indústria nacional do petróleo e tem uma poderosa produção cultural. Para completar suas qualidades, é a imagem turística do Brasil no mundo. Mesmo com tantas vantagens, o Estado do Rio se afundou em uma terrível crise institucional. Seu sistema estatal, com salários dos servidores atrasados há anos, está corroído pela corrupção e ineficiência e não consegue prestar razoáveis serviços de saúde e segurança pública. 

Engana-se quem se gaba que este é um problema do Estado do Rio. Em escala menor ou maior, fraudes de licitações e outros tipos de ilegalidades com a verba pública são verificados em todo o País. Talvez no Rio, por haver a exposição dos holofotes de uma capital cultural, sejam mais ativos os organismos voltados à investigação e os movimentos sociais que cobram o combate à corrupção. 
Cientistas políticos e outros estudiosos da epidemia da corrupção brasileira apontam a tradição de quem está no poder de se servir da estrutura pública como isso fosse seu direito, manipulando verbas e nomeando pessoas de confiança, um costume que vem dos tempos coloniais. Tal diagnóstico tem cabimento e só ele pode explicar o descaramento com que esses grupos criminosos praticam seus atos nos mesmos orgãos há pouco investigados. Por exemplo, é incrível a rapidez com que surgiram as suspeitas sobre as compras emergenciais da pandemia. Não será estranho também se futuros esquemas de aquisição de vacinas forem montados, principalmente porque muitos bilhões estarão empenhados em um curto período. 

Também é preciso observar que as lideranças fulminadas pelas investigações foram eleitas democraticamente, ainda que a corrupção tenha viciado o sistema e impedido que candidaturas legítimas e honestas obtivessem chance de vitória. Porém, a democracia é o melhor processo para afastar frutas podres, ainda que muitas. Entretanto, após a eleição, a vigilância tem que continuar. A Lava Jato é apenas parte desse processo, quando os crimes já se consumaram. É necessário monitorar a gestão pública para que ela não saia da linha, uma missão do Legislativo, que deixa a desejar, e que depende de ter mais participação da sociedade. 

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