Editorial A Tribuna

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Trabalho para maiores de 50

Maiores de 50 passam a ser descartados quando estão no melhor nível de conhecimento de suas carreiras

Não é de hoje que nas grandes crises, que resultam em muito desemprego, as extremidades das faixas etárias do mercado de trabalho – os novos (inexperientes) e os velhos – sofram mais. Entretanto, mesmo em condições econômicas favoráveis, maiores de 50 e principalmente, de 60, passam a ser descartados ou concorrer em desvantagem quando atingiram o melhor nível de maturidade e de conhecimento de suas carreiras. Considere-se o aumento da longevidade e a possibilidade de manter uma vida bem ativa e lúcida por mais anos, além da necessidade de trabalhar devido ao esticão do tempo de contribuição após a reforma da Previdência. Por isso, é preciso mudar essa concepção de que após os 50 anos a viabilidade profissional começa a perder força. Por isso, é preciso implantar políticas pelas possibilidades produtivas desses trabalhadores por questões sociais e de uso de um conhecimento aprimorado que costuma ser desperdiçado. Tal contexto já é sabido e apontado pelos pesquisadores, mas de prático não há uma política de governo voltada a essa questão.

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Na pandemia, o mercado de trabalho foi fulminado e reflexos devem ser sentidos no médio prazo, e mesmo que a vacinação acelere o ritmo da cobertura no País, já se sabe que o desemprego, dos atuais 14,2%, deverá permanecer nos dois dígitos. O fechamento de postos de trabalho é rápido nas recessões, mas a reabertura é mais lenta nas retomadas. 

Reportagem publicada ontem em A Tribuna com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou que o saldo positivo de 1.411 vagas (admissões menos demissões com carteira assinada) no primeiro bimestre na região se concentrou abaixo dos 50 anos. Acima dos 50 houve perda de empregos (-241). Para o economista Jorge Manuel de Souza Ferreira, o risco mais acentuado de exposição à covid-19, o que exige isolamento em casa, deve ter inibido as contratações dessa faixa. Mas, com o avanço da vacinação primeiro entre os mais velhos, será que esse efeito negativo vai ser revertido? Talvez, porém, não necessariamente a um nível mais justo para esse grupo etário.

O que se vê é que a pandemia tem um impacto de desagregação na sociedade, desde as crianças nas escolas até a importância dos idosos no núcleo familiar, tanto no sustento econômico como psicológico. Por exemplo, em muitas famílias o poder aquisitivo estará destruído pela morte de avós, pais ou filhos que contribuíam para o orçamento mensal. Entretanto, antigos problemas voltarão a despontar, inclusive o da dificuldade de inserção dos mais maduros no mercado de trabalho. 

Há questões de desrespeito aos velhos, preconceito escancarado quando os idosos começaram a morrer prioritariamente com a covid-19. Mas há um problema estrutural no mercado de trabalho e é preciso investir em uma política de Estado para promover a empregabilidade acima dos 50 anos. Os efeitos econômicos seriam benéficos e profundos. 

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