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Quarta-feira

11 de Dezembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Trabalho e saúde

Estudo realizado notou que, dentro ou fora do mercado formal, os impactos da relação com o trabalho para a saúde mental dos brasileiros vêm se deteriorando em todos os níveis de ocupação

Pesquisa realizada por consultoria especializada em cultura organizacional de empresas revelou quadro preocupante em relação às consequências do trabalho (ou da falta dele) para a saúde das pessoas. O trabalho é, sem dúvida, decisivo para a construção de identidades e reforço da personalidade individual.

Ele não garante apenas a renda necessária para as pessoas, uma que vez o exercício regular de atividades profissionais, em qualquer área, constitui fator básico para a autoestima necessária para o equilíbrio cotidiano.

Não surpreende, portanto, que o desemprego represente autêntica tragédia na vida daqueles que vivem tal situação, principalmente se ela se prolonga por longo período. O estudo realizado notou, entretanto, que dentro ou fora do mercado formal, os impactos da relação com o trabalho para a saúde mental dos brasileiros vêm se deteriorando em todos os níveis de ocupação.

O rol de distúrbios é amplo, compreendendo ansiedade, depressão, insônia, síndrome do pânico, burnout, uso frequente (e por vezes abusivo) de remédios controlados, álcool e drogas ilícitas. A crise econômica recente agravou o quadro – muitos perderam seus empregos ou tiveram perdas substanciais na renda mensal, principalmente os que foram forçados à informalidade – mas há quadro generalizado de preocupação e estresse em relação a exigências e metas a cumprir nos respectivos empregos.

Para 78% dos entrevistados na pesquisa, o trabalho contribuiu ou contribui para o seu adoecimento. Entre as mulheres negras, esse percentual é ainda maior: 85%. Numa escala de 1 a 10 para a concordância que o trabalho ou falta dele contribuem ou contribuíram para o surgimento de doenças e sofrimento psíquico, em que 1 representa nenhuma contribuição e 10 muito efeito, a média ponderada das respostas foi 7,5.

As principais doenças e sintomas desenvolvidos por problemas no trabalho foram o estresse (76%), dor nas costas/tensão (75%), ansiedade (75%) e desânimo (65%). Entrevistas qualitativas, feitas com grupos de foco, revelaram cinco aspectos importantes do problema: há violência no trabalho, em seus aspectos simbólicos e concretos; faltam regras claras de promoção e preenchimento de vagas nas empresas, revelando ausências de coerência no mercado; o assédio e pressão dos chefes e superiores são constantes; os empregos não trazem realização pessoal, e as pessoas mantêm-se neles por falta de opção; e há angústia decorrente das mudanças tecnológicas e do futuro do trabalho.

Os problemas são reais e exigem respostas e soluções. Isso precisa envolver empresas – funcionários adoecidos não interessam a ninguém e comprometem resultados e produtividade no trabalho – e a sociedade como um todo. É questão que, no fundo, exige novas abordagens e cuidados, que não pode ficar esquecida ou latente.

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