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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Tensão com petróleo

As cotações internacionais do produto tiveram alta de 13% na segunda-feira (16), a maior elevação diária em 11 anos

O ataque por drones contra instalações petrolíferas na Arábia Saudita no último sábado provocou corte na produção de 5,7 milhões de barris de petróleo, o maior da história, superando os efeitos da revolução no Irã entre 1978 e 1979, a guerra árabe-israelense de 1973-1974 e a invasão do Kuwait pelo Iraque, em 1990. As cotações internacionais do produto tiveram alta de 13% na segunda-feira (16), a maior elevação diária em 11 anos.

Ainda há muita incerteza a respeito do atentado. Reivindicado pelo grupo rebelde houthi, do Iêmen, que é apoiado pelo Irã, existem dúvidas sobre o real envolvimento do governo de Teerã no ataque ao centro de processamento de Abqaiq, que beneficia a maior parte do petróleo exportado pelos sauditas, e é a maior instalação processadora do planeta. Sabe-se, porém, que foram grandes os danos causados, e a produção poderá levar meses para voltar ao normal, trazendo grande intranquilidade ao mercado internacional.

A Arábia Saudita é o maior exportador mundial de petróleo, e o corte representa metade da sua produção e cerca de 6% da oferta global. A Agência Internacional de Energia (AIE) informa, porém, que o suprimento está garantido pela existência de elevados estoques comerciais do produto, enquanto a baixa atividade econômica global contribui para que os efeitos sejam minimizados. 

Muitos analistas consideram que o ataque representa um divisor de águas na geopolítica do petróleo do Oriente Médio, na medida em que ele representa a perda de confiança do mercado em relação ao futuro de cerca de 30% da produção mundial de óleo ali localizada. Nessa linha, especula-se que o Brasil poderá ser beneficiado, consolidando-se como um grande destino de investimentos de médio e longo prazo, considerando as reservas do pré-sal. O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Décio Oddone, classificou o episódio como o "11 de setembro da indústria petrolífera", e não descarta maior interesse pelos próximos leilões que serão promovidos: a 16ª rodada de concessões, a 6ª rodada de partilha e principalmente o megaleilão dos excedentes da cessão onerosa, marcado para novembro.

É preciso cautela nesse momento. Não se sabe como os preços irão se comportar nos próximos dias e semanas, e a atitude da Petrobras de não reajustar os combustíveis no País é prudente e acertada. Essa medida poderá vir a ocorrer, se novos atentados ocorrerem, ou se houver retaliação norte-americana, mas é cedo para decisões que podem afetar, e muito, a economia nacional.

Os riscos são maiores, e o mundo precisa buscar alternativas. De um lado, reduzir a dependência do Oriente Médio no suprimento de petróleo; de outro, acelerar os esforços para desenvolver novas fontes de energia sustentáveis, medida indispensável para assegurar o futuro da humanidade, principalmente diante do aquecimento global.

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