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Segunda-feira

6 de Julho de 2020

Editorial A Tribuna

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Sem consenso no ensino

O prazo para a covid-19 arrefecer se estendeu, o que gerou muita ansiedade e impaciência

O retorno às aulas presenciais nas escolas, em 8 de setembro, decisão do Governo do Estado que vale para toda a rede de ensino pública e particular, caso se concretize, ainda estará longe de superar as perdas do ano letivo. A expectativa das autoridades estaduais é de que, mesmo com a continuidade do ensino virtual, serão necessários dois anos para compensar o calendário escolar. Porém, os prazos da reabertura não têm consenso. Por exemplo, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) reclamou que o assunto seria discutido em reunião, defendendo aulas presenciais já, mas com 20% da ocupação (o Estado planeja 35% em setembro). A Apeoesp, que representa os professores da rede pública, defende a redução drástica da incidência da doença. Falta saber a posição dos prefeitos, que já se rebelaram no caso dos estabelecimentos comerciais, e dos pais dos alunos.

De qualquer forma, o critério para a reabertura deve ser a completa segurança sanitária dos estudantes, em detrimento de calendários ou aspectos econômicos do ensino. Há um sério risco de crianças e adolescentes, uma vez infectados, levarem a doença para dentro de casa, onde ainda há uma parcela em isolamento não se sabe até quando, principalmente os idosos. 

O 8 de setembro, na verdade, é uma referência, porque o governador João Doria condicionou a reabertura das escolas ao cumprimento de três fases de adaptação – tudo dependerá de todas as regiões paulistas permanecerem durante 28 dias na terceira etapa, quando há um menor nível de restrições. Tal prazo ainda parece distante, mas infelizmente vai depender do ritmo de disseminação do novo coronavírus frente aos fracos resultados obtidos com a quarentena e ao desleixo com que parte considerável da população se comporta perante as normas de proteção à própria saúde. Com base nesse cenário, resta observar como as autoridades vão dar andamento às fases de progressão do Plano São Paulo, que é a estratégia estadual definida por cores conforme o estágio local.

Deve-se notar que a reabertura das escolas será extremamente restritiva, porque será permitida a frequência de 35% dos alunos, havendo rodízio na semana com aqueles que terão aulas on-line em casa para que haja distanciamento entre as carteiras nas escolas. Caso contrário, o Estado teria que investir em mais salas e professores para dar conta dessa demanda.

Em uma situação tão inesperada, que é uma pandemia de rápida disseminação e mortal, e descoordenação entre os entes da federação sobre qual a melhor forma de combatê-la, a única saída é a conversa entre as partes interessadas, não só da área pública, mas com trabalhadores e empresários do ensino. O prazo para a covid-19 arrefecer se estendeu além do verificado na Ásia e Europa, gerando muita ansiedade e impaciência. Mas não há outra saída – a decisão da reabertura do ensino precisa ser técnica e não política ou de embasamento eleitoral. 

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