Editorial A Tribuna

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Segurança nas escolas

A julgar pelos argumentos levantados pelas entidades que representam o corpo docente, será difícil que alguma escola queira antecipar a data, ainda que esteja em cidade na fase amarela

Acertada a decisão do Governo do Estado em adiar, até 7 de outubro, a retomada das atividades escolares nas redes pública e privada. Inicialmente, a data era 8 de setembro, situação que vinha gerando temor por parte da comunidade escolar, especialmente docentes e pais de alunos.
No anúncio em que definiu a nova data, o governador João Doria deixou a critério das escolas que estão em regiões há 28 dias na fase amarela do Plano São Paulo a decisão de anteciparem a reabertura. Nessa situação, também ficaria na decisão das escolas abrir para reforço escolar e atividades opcionais.

A julgar pelos argumentos levantados pelas entidades que representam o corpo docente, será difícil que alguma escola queira antecipar a data, ainda que esteja em cidade na fase amarela. O temor do corpo docente é, predominantemente, a falta de estrutura de algumas unidades públicas para garantir a higienização dos espaços comuns conforme preconizam as autoridades sanitárias.

Em entrevista por videocon-ferência a A Tribuna, esta semana, o secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares, afirmou que recursos serão enviados às escolas públicas para reforçar os estoques de produtos de limpeza e álcool gel, mas a sensação de insegurança é generalizada, especialmente nas unidades de regiões mais carentes, onde já faltavam equipes de limpeza fora da pandemia.

Nessa mesma entrevista, Rossieli defendeu que as atividades presenciais voltassem ainda que por um curto período de tempo, entendendo que muitos alunos têm tido dificuldade de acesso aos canais digitais e podem estar engrossando as estatísticas de evasão escolar para este ano.

De fato, estima-se que ao menos 34% dos alunos da rede pública do Estado não estejam acompanhando as atividades remotas propostas para suprir as aulas presenciais. Nesse percentual estão os alunos que não dispõem de computadores ou rede de wi-fi, e também aqueles que, mesmo acessando aulas e atividades, não conseguem acompanhar o conteúdo, não conseguem esclarecer dúvidas e, por isso, não encontram estímulo para continuar.

Escolas públicas e particulares terão grande desafio no pós-pandemia para recuperar os meses de quarentena. Ainda que as particulares ofereçam melhores condições, a pandemia e a necessidade de suspensão imediata das aulas presenciais atropelaram o calendário escolar, formatado para um conteúdo convencional.

Nada disso, porém, justifica trazer de volta crianças e jovens. Embora estudos comprovem que esse público tem menor chance de contrair a doença, as escolas em funcionamento desencadeiam um fluxo de outras atividades econômicas, como transporte escolar e público.

Com o País atingindo a desconfortável marca de 100 mil mortos neste final de semana, o que menos se quer é motivo para incrementar essas estatísticas.

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