EDIÇÃO DIGITAL

Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Editorial A Tribuna

A Tribuna é o maior e mais antigo jornal impresso a circular na Baixada Santista. São 125 anos contando e publicando histórias

Saúde fora do radar de Brasília

Este governo precisa assumir uma pauta positiva na saúde, seguindo as tendências dessa área que têm dado certo pelo mundo

Tema constante das pesquisas que apontam as principais preocupações do brasileiro, a saúde pública praticamente está ausente das notícias neste Governo Jair Bolsonaro. A área ocupou o noticiário logo no início da gestão do presidente, quando Cuba decidiu chamar seus profissionais contratados pelo programa Mais Médicos. Depois, o vazio tomou conta desse assunto. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, quase não aparece no noticiário, o que neste momento pode até ser uma vantagem. Talvez porque não esteja envolvido em polêmicas, como brigas entre membros do governo que tanto abalam a Educação.

Pronto-socorro lotado, falta de médicos em hospitais, planos de saúde e surtos de doenças continuam sendo registrados pela imprensa no dia a dia, mas o que se sente falta é que não há informações sobre o que o Governo Federal pretende fazer nessa área. Prefeitos e governadores têm grande responsabilidade sobre a qualidade dos serviços que chegam à população, mas é Brasília que define normas e padrões de funcionamento, assim como fixa a maior parte dos recursos da saúde. Uma visita ao portal do Ministério da Saúde também não dá pistas sobre o que tem sido feito pelo atual governo. Na sexta-feira, o site da pasta destacava as 99 mortes por gripe no País, um estudo sobre alimentação infantil e o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, envolvido na campanha de vacinação.

Entretanto, há muito a fazer na saúde e o Governo Bolsonaro precisa vir a público anunciar o que pretende realizar, afinal é seu dever pôr em prática as promessas de campanha. A começar pelos hospitais, sufocados pela falta de recursos e gestão ineficiente, mas que têm que recuperar sua capacidade de investimento para adotar terapias com maior tecnologia.

É preciso também resolver o drama dos pacientes dos planos de saúde, cada vez mais restritivos devido ao aumento das mensalidades e coberturas insuficientes. Há ainda a vacinação, assolada por boatos inaceitáveis nas redes sociais que questionam sua eficácia. O País depende de um governo contundente frente a isso, além de investimentos em coberturas amplas contra doenças antes controladas, como o sarampo.

Este governo precisa assumir uma pauta positiva na saúde, seguindo as tendências dessa área que têm dado certo pelo mundo, como na Holanda e em Cingapura, entre outros países. Trata-se do foco na prevenção, com médicos de família e estímulo à prática física e consumo de alimentos saudáveis, em detrimento da internação nos hospitais. Essa estratégia não é nova e geralmente está no programa de promessas dos candidatos, mas costumam não sair do papel. Portanto, espera-se do ministro Mandetta o protagonismo em sua área. O País depende de programas consistentes, que sobrevivam à troca de governos e não sirvam apenas para angariar votos.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.