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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Reviravolta no Brexit

Parlamento vem se opondo, de maneira sistemática, à retirada unilateral. A decisão tomada nesta semana reafirma esta posição e praticamente definiu novo adiamento no processo

O Parlamento britânico impôs ao primeiro-ministro Boris Johnson duas derrotas. Por 327 votos a 299 foi aprovado projeto para que o governo solicite prorrogação de três meses para o Brexit, saída do país da União Europeia, caso não se consiga chegar a um acordo até 19 de outubro sobre os novos termos da separação. Também foi rejeitada a convocação de eleições gerais em 15 de outubro, frustrando os planos de Johnson para buscar apoio na reta final do atual Brexit.

O tema é complexo e as discussões vêm se arrastando desde que foi aprovada, por pequena maioria (52% a 48%), a saída do Reino Unido da União Europeia. As negociações não avançaram, e a data limite para que a retirada ocorresse foi prorrogada: de 29 de março para 22 de maio deste ano, depois alterada para 31 de outubro. Boris Johnson, que assumiu a chefia do governo em julho, anunciou que a Grã-Bretanha sairia na data estabelecida de qualquer maneira, com ou sem acordo.

O Parlamento vem se opondo, de maneira sistemática, à retirada unilateral. A decisão tomada nesta semana reafirma esta posição e praticamente definiu novo adiamento no processo. O projeto ainda depende da aprovação da Câmara dos Lordes, e receber a confirmação da rainha, o que deve acontecer até a próxima segunda-feira. Nesta data, o Parlamento deve ser suspenso por cinco semanas em função de manobra de Johnson, e só retomará atividades na segunda quinzena de outubro, a poucos dias do prazo limite que vigora atualmente para a saída.

Especula-se sobre a atitude do primeiro-ministro, que poderá ainda tentar novamente antecipar as eleições. Mas é fora de dúvida que ele está enfraquecido (seu partido, o Conservador, perdeu a maioria que tinha no Parlamento), e parece certo que haverá eleições no Reino Unido no último trimestre do ano, que poderá levar a oposição trabalhista, liderada por Jeremy Corbin, ao governo.

Analistas destacam que o mercado, antes hostil a ele por suas posições à esquerda, passou a acreditar no líder trabalhista, que é contrário a um Brexit sem acordo, sendo removido o risco de queda da economia britânica no curto prazo. Corbin vem prometendo uma revolução econômica caso chegue ao governo, com redistribuição de renda e um sistema econômico mais justo, concebido, segundo ele, "para muitos e não para poucos".

Johnson prossegue em estratégia arriscada, e expulsou 21 parlamentares do Partido Conservador por terem votado contra seu governo, temendo um Brexit sem acordo. As prováveis eleições que se avizinham poderão ser o divisor de águas sobre a questão, mas o cenário atual mostra que mudou o panorama político britânico e dificilmente Boris Johnson terá êxito em seu projeto de saída brusca da União Europeia. O Brexit ainda será notícia e se arrastará por vários meses.

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