Editorial A Tribuna

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Retomada dos hotéis

Só a continuidade da queda dos casos e mortes e uma vacina darão segurança para uma retomada mais robusta

A autorização, já em vigor, para a reabertura de hotéis e pousadas da região é um passo importante para reduzir o impacto da pandemia na economia local. A volta à atividade econômica se dá ainda sob restrições – em Santos, as normas permitem ocupação de até 40% da capacidade e, em Guarujá, de 30%. Compreende-se as dificuldades com que a hotelaria tem passado, mas o retorno dos hóspedes precisa se dar mediante muitos cuidados sanitários – como o novo coronavírus continua em circulação, ainda que, segundo indicam os números, em menor intensidade, o risco de reinfecção persiste devido à facilidade com que ele se dissemina. Se houver a chamada segunda onda, quando ele se espalha a partir de um foco em um bairro, uma pequena comunidade ou uma empresa, os efeitos econômicos de uma nova suspensão das atividades serão avassaladores. Além do impacto na saúde, o medo traz a desconfiança no convívio social e adia-se a disposição para consumir ou investir. 

Entretanto, a retomada do setor não é consenso. Entre 20% e 30% das pousadas devem continuar fechados, conforme expectativa do SinHores, sindicato que representa os hotéis, restaurantes e bares. Seus donos, segundo o sindicato, acham que não é hora para reabrir e preferem esperar por mais um ou dois meses. Aparentemente, esses donos temem o que lojistas têm passado em outras regiões que já reabriram, como a Capital, que é a baixa frequência que não cobre os custos da operação. 

Porém, deflagrada a reabertura, espera-se que as autoridades públicas, os empreendedores e os funcionários sejam extremamente cuidadosos nas tarefas do dia a dia. Considerando-se esse aspecto, a retomada dos hotéis é um importante estímulo à economia da Baixada devido à importância do turismo para geração de negócios e empregos. Não se deve esquecer que a hotelaria impulsiona uma cadeia de serviços, como o fornecimento de alimentos e outros insumos. Há ainda o recomeço de um mercado de trabalho numeroso e bem democrático, porque não exige alta capacitação para boa parte das vagas disponibilizadas. Esse retorno tem reflexo ainda nos movimentos de bares e restaurantes, que também estão em fase de reabertura. 

Este é um momento delicado, porque parte da clientela está sem dinheiro e outra ainda tem desconfiança sobre os riscos à saúde. Por isso, não há consenso entre os economistas em relação ao crescimento da economia no pós-pandemia. Enquanto alguns acham que a recuperação será tão rápida quanto a queda devido à injeção de recursos públicos na atividade privada, uma outra ala acha que o consumidor reticente pode empurrar decisões de consumo para o próximo ano, o que vai sustentar a recessão. 

Só a continuidade da queda dos casos e mortes por covid-19 e a descoberta de uma vacina darão segurança para uma retomada mais robusta. Portanto, até lá, é preciso seguir com os devidos cuidados sanitários. 

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