Editorial A Tribuna

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Retirar os entraves

A pandemia do novo coronavírus, obviamente, é um fator de grande preocupação

O Governo deveria olhar com lupa muito bem calibrada os resultados da recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), acerca das expectativas do setor empresarial sobre os rumos da economia para os próximos meses.

A pandemia do novo coronavírus, obviamente, é um fator de grande preocupação. Nota-se, entretanto, pela visão empresarial, um certo otimismo quanto à evolução da economia em escala global. O freio que impede essa visão mais assertiva encontra-se, justamente, em nível interno, e particularmente no relaxamento das reformas tão decantadas pelo atual governo e que começaram em bom ritmo, ainda em 2019.

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Reportagem do jornal Folha de S.Paulo, de ontem, com base no levantamento da FGV, mostra que 52% das empresas nacionais não confiam na política econômica. Isto é, para elas, um dos principais fatores que incidem sobre as expectativas quanto à evolução do ambiente de negócios no curto prazo.

Some-se a este quadro pouco animador os embates políticos, os escândalos e as controvérsias quanto aos métodos de combate à covid-19, enquanto indicativo de polarização e bloqueio do fluxo Executivo-Legislativo. Por essas e outras é que a incerteza econômica atinge um ponto crucial na pesquisa, uma vez que é citada por 71% das empresas.

A pandemia tem seu peso, é inegável, já que a própria Europa passa por novas precauções com o aumento de casos. Contudo, seria bem mais producente se as autoridades brasileiras – sem descuidar da pandemia, claro – conseguissem levar a bom termo o que tem de ser feito. O cenário que inclui o chamado teto de gastos nas entranhas do próprio governo, bem como seu consequente impacto nas contas públicas, ainda não está totalmente pavimentado. Há algumas semanas, por exemplo, as divergências internas transmitiram um sinal à sociedade de pouca coesão na área econômica, sugerindo até a saída de Paulo Guedes do Ministério da Economia.

Nesses percalços, surgem os mal resolvidos encaminhamentos das reformas tributária e administrativa: pouco empenho de um lado e assuntos transversais do outro, como os escândalos políticos, por assim dizer, emperrando o trâmite dos projetos. Sem contar o próprio ritmo das privatizações, considerado lento demais por fatia significativa do setor empresarial.

Contudo, apesar do cenário ser pouco alentador, sob a ótica empresarial, há iniciativas positivas e investimentos previstos pelo setor privado, além do fomento a empreitadas mais assertivas em planos localizados nos estados. O que se espera, obviamente, é uma contrapartida em termos de seriedade administrativa em âmbito nacional. Enquanto houver entraves políticos e dissenso na cúpula de quem tem o poder de decisão (Governo Federal e Congresso), os avanços, se houver, seguirão a toque de caixa. E vão confirmar esta visão desanimadora do segmento empresarial, com previsíveis bloqueios à retomada do crescimento.

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