Editorial A Tribuna

A Tribuna é o maior e mais antigo jornal impresso a circular na Baixada Santista. São 126 anos contando e publicando histórias.

Acesse todos os textos anteriores deste colunista

Restrição sanitária

Araraquara serve de exemplo. Na cidade, o lockdown radical foi adotado porque o parcial teve baixa adesão. É um alerta

O Governo do Estado preferiu optar por um lockdown moderado e até mudou a terminologia para esse controle de circulação, chamando de “toque de restrição”. A medida começa amanhã e será aplicada sempre das 23 horas às 5 horas até o próximo dia 14. Qualquer iniciativa para combater aglomerações ou outras situações que estimulam a disseminação da covid-19 são válidas, torcendo para que tenham os devidos efeitos sanitários. Entretanto, a medida merece uma análise profunda. O objetivo principal é evitar eventual colapso do sistema hospitalar em até três semanas, além de conter a propagação de variantes mais transmissíveis e com sintomas agressivos.

Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!

As autoridades estaduais alegam que o horário escolhido procura combater a falta do uso de máscara mais comum nesse período, principalmente nas festas. De dia, afirma o secretário de Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, a população utiliza proteção no transporte público, nas ruas e no trabalho e está protegida, seguindo os cuidados nos locais que frequentam. Mas os eventos noturnos, que geram grande aglomeração podem continuar a ocorrer simplesmente por serem clandestinos. Há ainda os bares que cheios, desrespeitando os cuidados sanitários, mesmo que no horário permitido, situação que também merece controle. Tais festas costumam ser convocadas por redes sociais e só serão impedidas mediante eficiente aparato de fiscalização. O estado tem mil fiscais de Vigilância Sanitária, o que dá menos de dois por cidade, desconsiderando a diferença populacional por município. Por isso, será necessário haver coordenação com as prefeituras, que dispõem de vigilâncias sanitárias próprias. Resta saber se todos os prefeitos vão aderir à decisão do Estado, que já foi alvo de rebeldia no caso de restrições no comércio durante o dia. A Polícia Militar também será empregada nas barreiras sanitárias, mas sua atuação vai depender do esvaziamento das ruas, o que em tese inibirá as ocorrências tradicionais.

Apesar do chamado “toque de restrição” ser noturno, as autoridades precisam olhar para as aglomerações durante o dia no transporte público. O uso de máscara não é infalível contra o coronavírus e muita gente usa sua proteção embaixo do queixo. Na Capital, chega a ser chocante o aperto dos passageiros nas plataformas da CPTM e do Metrô em horários de pico e o próprio Governo do Estado precisa dar o exemplo e resolver esse problema. Aliás, deve-se observar até atentamente amanhã à noite se haverá uma corrida ao transporte público para evitar o desrespeito ao horário do lockdown parcial.

Por mais que se fale ou noticie os riscos de transmissão, o Estado deve investir em campanha educativa lembrando que agora há o diferencial de cepas mais agressivas e que os hospitais estão com elevada ocupação. Araraquara serve de exemplo. Aliás, na cidade o lockdown radical, com fechamento total, foi adotado porque o parcial teve baixa adesão. Que sirva de alerta.

Tudo sobre:
 
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.