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Segunda-feira

6 de Julho de 2020

Editorial A Tribuna

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Recomeço no MEC

Decotelli tem imenso desafio a cumprir, com a sorte de iniciar em um momento em que o próprio presidente tenta um recomeço

A nomeação do ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli da Silva, reforça a expectativa de que o governo finalmente vai começar a cuidar do principal, que é melhorar a qualidade do ensino de base, combater a evasão no Ensino Médio e ampliar o acesso dos mais pobres às universidades federais. A indicação é uma vitória da ala mais moderada do Palácio do Planalto, principalmente militares que assessoram o presidente. Entretanto, fica o suspense de como a influente ala ideológica reagirá ao novo titular da Educação. Na pasta, permanecem em atividade os assessores ligados ao antecessor Abraham Weintraub e também um bloco do Centrão instalado no Fundeb, o bilionário fundo que irriga o setor de recursos em todo o País. Portanto, Decotelli tem pela frente um imenso desafio a cumprir, com a sorte de iniciar em um momento em que o próprio Jair Bolsonaro tenta demonstrar um recomeço – de ponderação e de boas relações com os demais poderes. Entre idas e vindas anteriores, não se sabe até quando essa tranquilidade continuará, mas de qualquer forma é preciso deixar o novo ministro caminhar conforme seu temperamento já conhecido, felizmente o da moderação. 

 trunfo de Decotelli é ser um técnico com carreira no magistério e preparo intelectual inclusive no exterior, atingindo a pós-graduação em uma área em que o conhecimento na academia é crucial. Ontem, surgiram sérias dúvidas em relação à formação dele na Argentina, com o reitor da Universidade de Rosário tuitando que Decotelli não obteve em definitivo o título de doutor. Em resposta, o Ministério da Educação divulgou a cópia do diploma. Trata-se de um constrangimento, se confirmado, que terá que ser explicado publicamente pelo ministro.

O titular da Educação também tem formação militar, o que provavelmente o aproximou dos representantes das Forças Armadas que hoje estão no governo, mas é a sua carreira no ensino que o credencia para o cargo. Ele é um conservador, provavelmente bolsonarista, mas sem o perfil ideológico – espera-se, que não seja tomado pela bravata nas redes sociais.

Decotelli não terá o trabalho de dar continuidade à gestão de Weintraub, porque este pouco ou nada realizou. Porém, o ex- ministro, no apagar das luzes de sua gestão, nomeou 12 membros para o Conselho da Educação, órgão que cuida de todas as diretrizes do ensino, incluindo olavistas e pessoas sem expressão no sistema educacional nacional, segundo reportagens. A expectativa de conselheiros já empossados é de uma reversão, o que vai depender de Decotelli, que já foi retirado do MEC pelo próprio Weintraub.

Talvez a maior dificuldade do novo ministro será obter recursos para poder trabalhar razoavelmente. A pasta já sofreu cortes, o que deve voltar a ocorrer quando a conta da pandemia chegar. Resta saber quais encabeçarão a lista de prioridades do novo Bolsonaro. 

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