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Sábado

15 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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Reativação da indústria

A economia está sujeita à resistência do coronavírus à estratégia sanitária dos governos

O aumento da produção industrial de 7% em maio na comparação com o mês anterior é mais importante para a indicação de uma tendência do que o percentual em si, calculado sobre uma base depreciada - em abril, o setor tinha caído 18,8% sobre março. A expectativa é que aos poucos a engrenagem da economia se consolide, apesar de já se esperar um revés de no mínimo 6% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano. Para entender o tamanho do tombo basta se lembrar dos maus momentos de 2015 e 2016 que, somados recuaram 7%. Desta vez, entretanto, a economia está sujeita à resistência do coronavírus à estratégia sanitária dos governos. Por exemplo, frigoríficos fechados no Centro-Oeste por contaminação de funcionários e o recuo para a cor vermelha em algumas regiões, como é o caso de Campinas (só o essencial pode funcionar) vai impor altos e baixos nos indicadores até que a covid-19 esteja controlada, o que gera muita desconfiança no investimento e no consumo. Por isso, preocupa a demora do Ministério da Economia de implantar socorros às empresas, das pequenas às grandes, no caso das seriamente comprometidas pela pandemia, como o do setor de aviação e, por que não, do turismo.

Por segmentos industriais, a retomada em maio, após a suspensão das atividades em abril, trouxe saltos percentuais impressionantes, como o de veículos automotores, de 244,4%, e de bebidas, de 65,6%. Não se pode dizer que agora há recuperação, mas sim reativação, o que já é uma conquista. 

Nas economias com a volta à atividade mais adiantada, como é o caso de Japão, Coreia do Sul, China e Europa, o desempenho é garantido pelo empurrão dos governos. Quem pode mais tem mais sucesso. É o caso da Alemanha, cujo eficiente Governo Merkel adotou linha de socorro não só às empresas, mas aos trabalhadores com duração prevista de até uma década. Entre as primeiras empresas socorridas está a gigante Lufthansa. Em Portugal, o setor público na prática reestatizou a TAP para não deixá-la falir. No Brasil, as discussões continuam sobre o nível de ajuda que será dado às aéreas e ao setor elétrico. Serão bilhões de reais provavelmente despejados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). A condição é adversa – ou o Estado entra com recursos públicos ou mais tarde será obrigado a aportar mais dinheiro ainda para refundar setores privados que se desintegraram. 

A posição do governo perante essa demanda, que não é nova (o Estado sempre socorreu empresas, as grandes, neste País) precisa ser clara e adotada de forma ágil. Alguns economistas dizem que no início da retomada os empresários reabrem otimistas e ansiosos, mas que vai chegar a hora que será mostrada a realidade da clientela, sem dinheiro ou insegura para gastar, Enquanto isso, as pequenas empresas não conseguiram ter acesso a linhas emergenciais de crédito, o que preocupa pelos milhares de empregos que elas sustentam. 

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