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Segunda-feira

10 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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Queda na avaliação

A queda indica que, sem perspectivas, o atual descontentamento pode aumentar, exigindo respostas do governo na questão econômica

Pesquisa IBOPE/CNI mostrou que cresceu o descontentamento com o governo do presidente Jair Bolsonaro. No final de junho, 32% dos entrevistados consideraram o governo ruim ou péssimo, cinco pontos percentuais a mais do que no levantamento anterior, realizado em abril. Em contrapartida, o percentual de brasileiros que avaliam o governo como bom ou ótimo diminuiu de 35% para 32%, enquanto 48% desaprovam a atual administração. Destaque-se que houve nítida mudança de humor em dois meses: em abril, 51% aprovavam o governo (contra 40% que o desaprovavam), e agora foi invertida a situação, com a desaprovação (48%) superando a aprovação (46%).

Os índices não são tão ruins como os dos dois últimos presidentes - nos primeiros seis meses de governo de seu segundo mandato, Dilma Rousseff tinha apenas 9% de ótimo e bom e Michel Temer 13% - mas a situação não é confortável para Jair Bolsonaro. Pesam, de maneira decisiva na atual avaliação, as dificuldades econômicas que o País continua enfrentando, uma vez que o quadro continua muito negativo, com baixo crescimento econômico e desemprego muito elevado, sem perspectivas de reação em prazo curto.

Ao longo do ano, nota-se a reversão das expectativas da população. Bolsonaro tinha 49% de ótimo ou bom em janeiro; agora são apenas 32%, queda de 17% em apenas seis meses. Isso está claramente associado ao mau desempenho da economia, como destacou o gerente-executivo de pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, afirmando que as pessoas creditam ao governo grande parte da frustração com o desemprego, queda na renda e no padrão de vida. Um detalhe chama a atenção: os cortes na Educação tiveram influência na perda de popularidade do governo, sendo o percentual de desaprovação na área o que mais cresceu em relação a abril, passando de 44% para 54%.

Além dos números da pesquisa, nota-se que os grandes temas que mobilizaram o eleitorado para votar em Bolsonaro nas últimas eleições - insegurança, corrupção e rejeição ao PT - continuam mobilizando as pessoas. Basta notar que a exposição negativa causada pelos vazamentos de conversas entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores da Lava Jato, não abalaram a confiança da população nele, e a área de segurança pública é a mais bem avaliada do governo, com 54% de aprovação, contra 43% que a desaprovam.

Bolsonaro continua mais forte entre a população com renda superior a cinco salários mínimos (63% de aprovação), enquanto é mais rejeitado entre os que ganham até um salário mínimo (59% de desaprovação). Na mesma linha, os brasileiros com maior instrução tendem a apoiar mais o governo (51% daqueles que têm nível superior). A queda nas avaliações indica que, sem perspectivas, o atual descontentamento pode aumentar, exigindo respostas do governo na questão econômica.

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