Editorial A Tribuna

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Proteção ao emprego, medida necessária

A iniciativa privada já deve ter feito chegar a Brasília que as perspectivas do trabalho não são nada animadoras

À primeira vista, o governo passa a impressão de que a decisão de prorrogar as medidas de proteção ao emprego e socorro dos informais têm pretensões eleitorais. É fato que a imagem do presidente Jair Bolsonaro melhorou após a concessão desses benefícios temporários como reação aos efeitos econômicos da pandemia. Entretanto, a iniciativa privada já deve ter feito chegar a Brasília que as perspectivas do mercado de trabalho não são nada animadoras. 

Na última quarta-feira, Bolsonaro se entendeu com a equipe econômica e bateu o martelo para ampliar por mais 60 dias a redução proporcional de jornada e salários ou a suspensão de contratos de trabalho. Além disso, o auxílio emergencial, que é voltado para informais e microempreendedores, ganhará entre duas e quatro parcelas – os valores ainda serão definidos. 

Segundo porta-vozes de entidades patronais, as empresas devem reaquecer as estatísticas das demissões. Sindicalistas do segmento de montadoras aguardam milhares de cortes. Se nesta cadeia, uma das mais diversificadas da indústria, passa dificuldades, imagina-se a situação difícil de outros setores, como o turístico e o comércio, além dos prestadores de serviços. 

A expectativa é que as demissões se deem na hora em que o empresário reabre as portas, mas não consegue faturar o suficiente para cobrir os custos da operação, inclusive salários e encargos. O problema é que o arrefecimento da disseminação do novo coronavírus ocorre em estágios diferentes pelo País. Há ainda o risco de uma segunda infecção, como mostram Espanha e França, que registram novo repique de casos, ainda que em escala inferior ao verificado no semestre passado. Paralelamente, o trabalhador, por uma questão de sobrevivência, adia a volta às compras. Pois é especificamente o consumo a conta da economia que mais move o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro – em outras países, como a China, são os investimentos.

Por trás da decisão do governo há uma consequência negativa da proteção do emprego – o impacto nas contas públicas. No caso da redução de jornada/salários e suspensão de contratos, o quadro é menos pior, porque de R$ 50 bilhões reservados, foram utilizados “apenas” R$ 20 bilhões. Em relação ao auxílio, o impacto será de R$ 100 bilhões, considerando que cada parcela atual de R$ 600 custa R$ 50 bilhões ao mês. 

O auxílio é o socorro que chama mais atenção não só pelo custo mensal, mas também por ser fonte de inspiração para o Renda Brasil, programa esse sim claramente eleitoral, mas essencial para tirar milhões de brasileiros da miséria. Porém, para emplacá-lo, Bolsonaro terá que tomar decisão difícil, que é apontar ao ministro da Economia, Paulo Guedes, de onde vai sair o dinheiro. Alguém terá que ficar com verba menor. Se a opção for pela canetada, sem corte de gastos em outra ponta, aí sim que as contas públicas irão para o descalabro.

 

 

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