Editorial A Tribuna

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Prevenção do câncer

As doenças e agravos não transmissíveis vêm crescendo em todo o mundo, e são a principal causa de adoecimento e morte da população

O Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, compilou dados sobre a incidência de câncer no Brasil e fez estimativas para o biênio 2018-2019 que demonstram a gravidade da doença e a necessidade de se desenvolver no País sistema de vigilância e prevenção. 

As doenças e agravos não transmissíveis vêm crescendo em todo o mundo, e são a principal causa de adoecimento e morte da população. Estima-se que, em 2008, 36 milhões de óbitos (63% do total) foram consequência deste tipo de doença, com destaque para as cardiovasculares (48% das doenças não transmissíveis) e para o câncer (21%), afetando principalmente países de baixo e médio desenvolvimento, especialmente com mortes prematuras. 

Em 2012, em todo o mundo, ocorreram 14,1 milhões de novos casos de câncer e 8,2 milhões de óbitos. Estima-se, para o Brasil, no biênio 2018-2019, a ocorrência de 600 mil novos casos de câncer a cada ano, prevalecendo o câncer de pele não melanoma (com 170 mil casos), seguido dos cânceres de próstata em homens (69 mil casos) e de mama em mulheres (60 mil casos).

Novos dados sobre a questão foram divulgados a partir de estudo realizado pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). O levantamento listou gastos diretos com o câncer, como medicamentos, hospitalizações e cirurgias, e também tentou mensurar as despesas indiretas, resultado de mortes prematuras dos pacientes, faltas no trabalho e aposentadorias por invalidez.

O custo total chegou a R$ 68,2 bilhões em 2017, sendo R$ 19 bilhões em gastos diretos e R$ 49,2 bilhões em gastos indiretos. No Sistema Único de Saúde (SUS), o custo atingiu R$ 4,5 bilhões em 2017, sendo que quase a metade desses gastos (48%), equivalente a R$ 2,1 bilhões, foi destinada à quimioterapia. Na saúde suplementar, as despesas diretas com tratamento de câncer ficaram em R$ 14,5 bilhões, sendo também a maior parte (39%, R$ 5,6 bilhões) destinada à quimioterapia.

A evolução da medicina permite tratar e curar grande parte dos casos de câncer, evitando-se assim mortes prematuras, responsáveis, segundo o estudo da Interfarma, por R$ 47,8 bilhões, cálculo que considera a produtividade esperada a partir da expectativa de vida das vítimas fatais.

Impõe-se, portanto, um esforço redobrado de conscientizar a população sobre a doença e ações efetivas de prevenção. Quando o câncer é detectado em sua fase inicial, as chances de cura crescem exponencialmente, e há condições de realizar tais diagnósticos e iniciar o tratamento sem dificuldades maiores. Faltam, porém, políticas públicas e recursos para que isso ocorra de maneira satisfatória. Enquanto isso, cresce o drama de milhares de pessoas e suas famílias todos os anos, com desperdício de vidas, muitas delas jovens, que poderia ser evitado. 

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