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Sexta-feira

23 de Agosto de 2019

Editorial A Tribuna

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Prévia argentina

Eleição serviu como termômetro objetivo das preferências da população e indicou o favoritismo da chapa Alberto Fernández e Cristina Kirchner para vencer a disputa

A oposição venceu, com folga, as primárias presidenciais realizadas na Argentina no último domingo (11). Trata-se de consulta prévia, instituída em 2009, denominada Paso (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias), com o objetivo de reduzir o número de candidaturas que concorriam nas eleições, já que apenas aqueles que alcançarem 1,5% dos votos podem ser lançados no 1º turno presidencial.

Na realidade, não são primárias na verdadeira acepção da palavra, uma vez que não há disputa entre vários pré-candidatos dos vários partidos pela indicação de seus nomes, como ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos. 

A eleição de domingo serviu como termômetro objetivo das preferências da população e, realizada pouco mais de dois meses antes do pleito oficial (em 1º turno, que acontecerá no dia 27 de outubro), indicou o favoritismo da chapa Alberto Fernández e Cristina Kirchner para vencer a disputa.

Eles alcançaram 47% dos votos, contra 32,6% do atual presidente Mauricio Macri e, segundo as regras eleitorais argentinas, seria suficiente para garantir a vitória da oposição já no 1º turno (basta conseguir 45% dos votos, ou conquistar 40% e ter uma diferença de 10% sobre o segundo colocado).

Há clara polarização na disputa pelo poder presidencial na Argentina. O atual chefe do Executivo, Mauricio Macri, enfrenta o desgaste do poder, agravado pela crise econômica que não foi resolvida na sua gestão. O dilema no país vizinho é grande: desde os anos 1950, os argentinos viveram um ano de recessão a cada três.

E a convulsão política acompanhou as dificuldades econômicas: após a queda de Juan Domingo Perón, em 1955, seguiram-se governos civis e intervenções militares, a volta de Perón e o desastrado mandato de sua esposa, Isabel Martínez, que produziu golpe militar em 1976. Finda a ditadura em 1983, os presidentes eleitos também não foram capazes de reverter o quadro de crise e decadência, que prossegue até os dias atuais.

O populismo é espectro presente na política argentina. O casal Kirchner - Néstor, presidente entre 2003 e 2007, e sua esposa, Cristina, entre 2007 e 2015 - com origens políticas no peronismo, aguçou ainda mais a crise, levando o país à bancarrota, e acabaram substituídos por Macri, que defendia uma política liberal e conservadora como forma de resolver os dramas históricos, que acabou não se concretizando.

A Argentina continua em recessão, e o governo segue errático: embora se declarando adepto do liberalismo, congelou preços, segura o câmbio e mantém a palavra mudança em sua plataforma de reeleição.

Não se pode fazer prognósticos definitivos, mas a possibilidade de vitória da oposição na Argentina é cada vez maior. A volta do kirchnerismo, entretanto, não é garantia de avanços e pode significar nova escalada de tensões, em meio à irresponsabilidade fiscal e ao populismo revivido. 

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