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Segunda-feira

13 de Julho de 2020

Editorial A Tribuna

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Portos e a crise

Os portos brasileiros vêm mantendo sua operação normal, e é importante que isso prossiga, tendo em vista sua importância estratégica

O agravamento da crise provocada pelo coronavírus atinge todos os setores da economia nacional, com paralisação de atividades. Os portos brasileiros, entretanto, vêm mantendo sua operação normal, e é importante que isso prossiga, tendo em vista sua importância estratégica. 

Providências e cuidados devem ser tomados, porém, como implantar o trabalho remoto para as áreas administrativas, liberar funcionários que estão nos grupos de risco e ampliar as medidas de precaução para aqueles que trabalham diretamente na operação portuária.

Nos portos são desembarcadas cargas para o abastecimento, além de produtos da área da saúde. Com a progressiva normalização da situação na China, deve aumentar a demanda por commodities agrícolas a serem exportadas, iniciando importante processo de recuperação da economia brasileira. Daí a necessidade de manter os portos em operação regular, bem como assegurar o acesso a eles, sem comprometimento da logística necessária.

Foi muito positiva nesse sentido a decisão do Sindicato dos Estivadores (Sindestiva), tomada em assembleia da categoria, de suspender a greve que estava prevista para ontem. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, interveio na questão e conversou por telefone com o presidente do Sindestiva, Rodnei Oliveira Santos, afirmando que vai propor medidas de proteção financeira e saúde para os trabalhadores do Porto, em conjunto com o Ministério da Economia. 

No pacote de ações emergenciais apresentado pelo governo na terça-feira, já estão previstas duas medidas que afetam os trabalhadores portuários: a criação de renda mínima para eles e benefícios para os caminhoneiros. Prevaleceu o bom senso: o governo mostrou-se sensível aos problemas dos trabalhadores, e estes reconheceram que paralisar os serviços traria consequências muito negativas para o País. Como destacou o ministro, "é importante o Porto funcionar. Pelo Porto entram gêneros, saem gêneros, entram divisas, saem divisas". 

É justificado o temor dos trabalhadores quanto ao risco de contaminação, estando mais vulneráveis os terminais que movimentam granéis e carga geral, exigindo das empresas e da Autoridade Portuária de Santos (ex-Codesp) atenção redobrada e ações efetivas de prevenção. 

De outra parte, é importante garantir a rápida liberação de cargas por parte de órgãos fiscalizadores, como Receita Federal, Ministério da Agricultura e Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), que verificam as importações, evitando filas enormes decorrentes da demora. 

Os terminais de contêineres que operam no Porto de Santos garantiram que, até aqui, não houve impacto nas suas atividades. Espera-se que a situação se mantenha assim, evitando-se, portanto, a possibilidade do caos logístico no País, que só pioraria o atual quadro. 

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