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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Planos de saúde e rede pública

Um dos sonhos de consumo da classe C no início da década, os planos de saúde perderam 54 mil usuários entre 2015 e março deste ano na região, segundo a ANS

Um dos sonhos de consumo da classe C no início da década, os planos de saúde perderam 54 mil usuários entre 2015 e março deste ano na região, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Na verdade, esse mercado retrocedeu nove anos - com 673 mil beneficiários, esse total equivale a quase o total de 2010, com 675 mil. Chama a atenção que de 2015 para cá a região tenha perdido 42 mil empregos. Associe a isso os altos índices de inadimplência e o desemprego que continua e fica fácil compreender o impacto da crise econômica no segmento de planos.

Os dados também indicam que os usuários dos planos cortam o benefício de forma seletiva. Segundo a ANS, nos últimos cinco anos, houve uma queda de 5% dos segurados até 39 anos e um aumento de 6% na faixa a partir dos 40 anos. A conclusão é que se mantêm os mais velhos devido ao tratamento mais caro e constante na rede privada e cortam os mais novos por utilizarem menos serviços médicos. 

Devido às precariedades do serviço público, é a lógica financeira que vai garantir a qualidade da saúde que chega à classe média. Ao longo das décadas, ao invés de pressionarem o governo por bons serviços médicos - o mesmo vale para a educação - parte dos brasileiros optou por pagar do próprio bolso o que é garantido pela Constituição. Quando chega a crise, que tem se repetido inúmeras vezes desde os anos 1970, esses trabalhadores são obrigados a realizar escolhas delicadas, como cortar planos de saúde e escolas particulares. 

Porém, os governos não vão conseguir suprir com boa saúde esses milhares que estão deixando os planos. Na educação, até que é possível suportar sacrifícios, porque há estudantes mais dedicados que acabam conseguindo vagas na rede universitária pública, aliás, também sob grave crise financeira. Já no sistema de saúde as condições são bem piores, pois já faz tempo que não dá conta de atender a população mais pobre. 

Em meio a tantas dificuldades, a iniciativa privada é muito eficiente ao oferecer alternativas. É o caso das clínicas médicas populares, que fornecem consultas avulsas e procedimentos clínicos mais simples sem cobrar mensalidades como os planos.

O problema de hoje é a falta de dinheiro impossibilitar o acompanhamento preventivo e terapias que impedem a cronificação de doenças. Isto é, que elas não exijam tratamento demorado, doloroso e muito mais caro que nem mesmo os planos podem cobrir. O que dizer do setor público.

No caso dos planos, fica inadequado exigir uma intervenção da ANS. Essas empresas também estão sobrecarregadas pela alta dos custos dos tratamentos mais modernos, a fuga de usuários e disputas na Justiça. O ideal seria o setor público estar preparado para receber essa leva de excluídos dos planos, mas é previsível concluir que não há condições para isso.

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