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Sábado

18 de Janeiro de 2020

Editorial A Tribuna

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PIB cresce 0,6% no trimestre

A expectativa agora é que o PIB de 2019 possa terminar o ano com avanço superior a 1%. Não é um resultado excepcional, mas mostra que a economia vai ganhando tração gradativamente

O IBGE divulgou que o PIB nacional cresceu 0,6% no terceiro trimestre deste ano, superando as previsões de analistas do setor financeiro, que esperavam avanço de 0,4%. O resultado foi consequência do bom desempenho do consumo das famílias (que representou quase dois terços do crescimento registrado, tendo avançado 0,8% neste trimestre, contra apenas 0,2% no anterior). Os investimentos das empresas, medidos pela formação bruta de capital fixo, subiram 2% no período, enquanto tiveram números positivos a agropecuária e a indústria extrativa.

A expectativa agora é que o PIB de 2019 possa terminar o ano com avanço superior a 1%. Não é um resultado excepcional, mas mostra que a economia vai ganhando tração gradativamente. Mas é preciso notar que, mantido o atual ritmo de crescimento do PIB per capita (0,4% no terceiro trimestre, frente ao anterior), serão necessários mais 18 anos para zerar as perdas da recessão de 2014-2016. Esse tempo, porém, poderá ser reduzido a seis anos se a economia acelerar como é previsto para 2020 (atingindo a variação de 1,3% no PIB per capita no País), e mantiver esse padrão nos anos seguintes.

Há problemas nos gastos do governo, que recuaram 0,4% no período de julho a setembro, representando a terceira queda em quatro quadrimestres, consequência direta da contenção de despesas nos três níveis de governo e da delicada situação fiscal da União, Estados e municípios. A indústria de transformação caiu 1%, sofrendo com a queda das exportações para a Argentina e a crônica falta de competitividade. O setor externo, de maneira geral, deve contribuir pouco em 2020, já que a crise argentina e o conflito China-EUA tumultuam o quadro. As áreas que se destacam, entretanto, são a construção civil e agropecuária, que subiram, ambas, 1,3% no terceiro trimestre.

O cenário para a construção civil é animador, puxado principalmente pelo mercado imobiliário, uma vez que os investimentos em infraestrutura continuam baixos e limitados. A avaliação é que o setor saiu do fundo do poço, embora o PIB da área esteja ainda 30% abaixo do pico alcançado no segundo trimestre de 2014. Há, porém, boas expectativas: os juros mais baixos e o interesse de investidores por imóveis trazem boas perspectivas, e as mudanças regulatórias, como a nova Lei do Saneamento, podem proporcionar impactos positivos para as atividades da construção civil.

Não há dúvidas também que o agronegócio continuará em expansão. Ele conseguiu crescer no período de crise, avançando 14,6% entre o primeiro trimestre de 2014 e o terceiro deste ano, enquanto a indústria recuou 11,2% e os investimentos 23,2%. Justifica-se, portanto, o otimismo moderado, e já são factíveis projeções que o PIB de 2020 pode ficar acima de 2%, fato bastante positivo para a economia nacional. 

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