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Sexta-feira

19 de Julho de 2019

Editorial A Tribuna

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Pessimismo com a economia

Turbulências políticas parecem explicar melhor a piora no otimismo, que acaba por atingir o ambiente econômico

As dificuldades econômicas são a tônica da realidade nacional há muito tempo. Não há brasileiro, dos mais velhos aos mais jovens, que não tenha enfrentado, de maneira contínua, ao longo de sua vida, problemas e turbulências, que vão da inflação descontrolada em vários períodos ao crescimento muito irregular. Isso foi notado principalmente a partir dos anos 1980, com vários ciclos de depressão e recessão enfrentados pelo País, sem mencionar a desigualdade econômica, persistente e resistente, e nunca superada de fato.

Alguns acontecimentos políticos trouxeram expectativas positivas e até euforia. Assim foi durante o milagre econômico do início dos anos 1970, com o Plano Cruzado em 1986 e com a introdução do real em 1994. Infelizmente, porém, não houve, nas últimas décadas, crescimento contínuo e sustentável, e as fases de expansão econômica foram substituídas por períodos de crise profunda.

A eleição do presidente Jair Bolsonaro provocou, como esperado, o aumento do otimismo com a economia. Embora os temas de campanha que mobilizaram a população a favor de Bolsonaro estivessem mais ligados ao combate da corrupção e da violência urbana, e da crítica aos governos anteriores, sem apresentar planos ou projetos detalhados para a recuperação econômica, houve, como seria natural, a expectativa de melhora nesse quadro de dificuldades.

Em dezembro, segundo o Instituto Datafolha, 65% dos brasileiros acreditavam que a situação econômica nacional iria melhorar nos próximos meses. Passados 100 dias do novo governo, houve nítida piora: esse percentual caiu para 50%, enquanto a parcela dos que preveem piora dobrou em menos de quatro meses, passando de 9% para 18%. Resultados semelhantes foram obtidos quando as perguntas foram feitas sobre a situação pessoal do entrevistado: os que confiavam em melhora eram 67% em dezembro; agora são 59%. Aqueles que acham que haverá piora subiram de 6% para 11%.

A análise da série histórica de pesquisas mostra, porém, que nos governos anteriores (primeiros mandatos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff) não houve rápida deterioração das expectativas em relação à economia. Agora, todos os indicadores pioraram: cresceram as opiniões de que a inflação e o desemprego vão aumentar e diminuiu a expectativa de que o poder de compra crescerá.

Não se pode afirmar que a economia teve retrocessos nos primeiros meses de 2019: a inflação segue controlada e houve iniciativas importantes, como a negociação da reforma da Previdência. É fato que a recuperação segue tímida e incerta, sem confiança para investimentos, com as contas do governo ainda muito ruins, mas, sem dúvida, as turbulências políticas parecem explicar melhor a piora no otimismo, que acaba por atingir o ambiente econômico. 

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