Editorial A Tribuna

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Pesquisa deve ser fortalecida

A atual crise mostra a importância do investimento em pesquisa e inovação em diversos campos

Uma das constatações que se pode tirar da atual crise provocada pela pandemia da covid-19 é a importância do investimento em pesquisa e inovação. A humanidade estará sujeita a muitas situações graves, principalmente no campo da saúde e do meio ambiente, e a ciência é decisiva para que o enfrentamento possa ser feito de modo eficiente e imediato.

Não é o que tem ocorrido, infelizmente, no Brasil há muito tempo. As verbas dos orçamentos públicos dedicadas ao setor têm sido reduzidas e não há compensação da iniciativa privada. Embora algumas empresas se dediquem ao tema, notadamente na indústria farmacêutica e na tecnologia da informação, seus investimentos são insuficientes e dedicados a fins específicos, de acordo com as demandas do mercado.

Tem sido errática a atitude da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão ligado ao Ministério da Educação, quanto à concessão de bolsas para pós-graduação no País. Em 2019, muitas foram suspensas em razão de contingenciamento de recursos determinado pelo Ministério da Economia, mas em fevereiro, por meio de portaria do novo presidente da Capes, Benedito Aguiar Neto, foi anunciada uma nova sistemática de atribuição das bolsas, que seriam disponibilizadas às universidades públicas e privadas.

Previsto para o início de março, o processo foi adiado. Retomado no final do mês, com novas regras, foi criticado por não ter sido discutido com a comunidade científica e levar a mais cortes nas bolsas, fato negado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. Em mais um lance dessa sucessão de confusões, a Capes admitiu ter havido erro no novo modelo de concessão das bolsas, que teria provocado o corte de 6.000 bolsas no sistema, que foram reativadas nos diferentes programas de pós-graduação a partir desta semana.

Diante dessa situação, o Ministério Público Federal entrou na Justiça para exigir que a Capes suspenda a portaria de março que alterou as regras de distribuição das bolsas de pesquisa e que resultou em corte de benefícios. Em meio a todas essas discussões e reviravoltas, a pesquisa sofre. Grupos de pesquisa que se organizaram para trabalhar com os desafios do coronavírus, e que pertencem a programas de pós-graduação com notas 6 e 7 (as maiores do sistema), sofreram redução de recursos.

O Programa de Microbiologia da USP (nota 6), com cinco docentes trabalhando com o vírus, perdeu oito bolsas. Um biomédico aprovado no doutorado de Biologia Microbiana da Universidade de Brasília (UnB) e que pesquisa o sequenciamento do genoma do vírus isolado, contava com o auxílio e viu-se sem ele, o que compromete gravemente a continuidade de seu trabalho.
Em suma, a prioridade à pesquisa é essencial agora e no futuro, e não pode ser negligenciada.

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